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STAVANGER – O pré-sal alçou o Brasil à lista das maiores reservas de petróleo do mundo em 2006, atraindo olhares de todas as partes, mas agora, 10 anos depois, o processo de aporte de recursos internacionais começou a se intensificar, na esteira das dificuldades de caixa da Petrorás.

Após a compra de Carcará pela Statoil, realizada no fim de julho, e a assinatura de um novo acordo entre os presidentes da empresa norueguesa, Eldar Saetre, e da estatal brasileira, Pedro Parente, nesta semana, durante a Offshore Northern Seas (ONS), os interesses da Noruega parecem estar cada vez mais solidificados em torno do Brasil, que passou ao papel de mercado estratégico para a estatal nórdica.

Durante sua participação na feira, Saetre, que recebeu Parente em seu escritório para o fortalecimento das parcerias e dividiu com presidente da Petrobrás – junto a outros CEOs de operadoras globais – o painel de abertura do evento, afirmou que novos investimentos poderão ser feitos em território brasileiro caso a empresa não tenha acesso a duas novas áreas da Noruega.

O executivo alega que, após o começo dos grandes projetos do campo Johan Sverdrup, no Mar do Norte, em 2019; e do campo Johan Casteberg, no Mar de Barents, a companhia terá que ter novos empreendimentos para garantir que suas reservas não sofram queda, e o Brasil desponta como um dos destaques potenciais para os novos investimentos.

Os comentários do CEO foram feitos em momento oportuno, já que a primeira-ministra da Noruega, Erna Solberg, anunciou a 24ª rodada de licitações do país, que não vai incluir blocos nas regiões de Lofoten e Vesteraalen – as duas mais interessantes para a Statoil, segundo Saetre.

Hoje, a Statoil já é parceira da Petrobrás em consórcios presentes em 13 blocos, em fase de exploração ou de produção, sendo que 10 dessas áreas ficam no Brasil. Com a compra de Carcará, que faz parte dessa carteira de ativos, a presença da empresa norueguesa deu um salto no mercado brasileiro, já que as estimativas do prospecto indicam uma das maiores descobertas de petróleo da história nacional.

A Statoil lida com a aquisição de modo conservador, avaliando o potencial das reservas do bloco BM-S-8 em cerca de 700 milhões a 1,3 bilhão de barris de óleo recuperáveis, mas aFederação Brasileira de Geólogos (Fegrageo), que atualmente está tentando reverter o negócio na justiça, estima que possa haver 6 bilhões de barris recuperáveis de óleo e gás equivalente no bloco.

Para se ter ideia, a coluna de petróleo encontrada na área é avaliada em 530 metros, segundo o próprio consórcio operador, sendo que as primeiras perspectivas, que indicavam uma coluna de aproximadamente 400 metros, já eram vistas como uma grande descoberta, como chegou a falar em 2012 o então diretor de exploração e produção da Petrobrás, José Miranda Formigli, quando instado a comparar a área com Marlim, um dos maiores campos de petróleo do Brasil.

“Marlim tem 100 a 120 metros, mas precisamos lembrar que uma coluna de petróleo tem três dimensões. E especificamente no caso de Marlim temos um ‘espraiamento’ (alongamento do campo) sensacional. Por isso Marlim é o que é. Mas sem dúvida que Carcará é algo muito grande”, afirmou Formigli em agosto daquele ano.

No início deste mês, o vice-presidente de Relações Institucionais da Statoil no Brasil, Fernando de Carvalho, já havia falado sobre o interesse crescente da empresa no Brasil e esse deverá ser o tom das apostas da companhia daqui para frente.

“A Statoil pretende ampliar seus investimentos no Brasil nos próximos anos. A aquisição do bloco BM-S-8 foi um grande passo que demos nessa direção, ampliando nosso portfólio que hoje já tem projetos nas Bacias de Campos e do Espírito Santo. Sem dúvida, o Brasil é uma das áreas consideradas prioritárias, onde a Statoil pretende reforçar a sua presença (...) e onde temos nossa maior operação fora da Noruega (Campo de Peregrino)”, afirmou em entrevista ao Petronotícias no último dia 10.

Atualmente, a Statoil está entre as maiores produtoras de petróleo do Brasil, sendo a segunda maior operadora do país – responsável por cerca de 77 mil barris extraídos por dia em junho, segundo o boletim da ANP mais recente – e a quinta em termos de detenção da produção – ela ficou com 46 mil barris por dia da produção nas áreas em que tem participação no mesmo mês –, e deverá ter um salto nesses resultados a partir dos próximos anos.

Se a BG Brasil, recentemente adquirida pela Shell, já tinha o Brasil como sua maior aposta fora de seu país de origem, tudo indica que a Statoil está em vias de seguir o mesmo rumo, o que pode abrir caminhos para fornecedores brasileiros e dar novos traços ao mercado de contratações no País, hoje praticamente dominado pela Petrobrás.

Petronotícias - 31/08/2016

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