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Um terremoto devastador destruiu uma série de cidades montanhosas no centro da Itália nesta quarta-feira, deixando pelo menos 120 mortos, além de moradores presos sob pilhas de escombros e milhares de pessoas desabrigadas.

O tremor ocorreu nas primeiras horas da manhã, quando a maioria dos moradores dormia, derrubando casas e destruindo ruas em um conjunto de pequenas cidades italianas cerca de 140 quilômetros a leste de Roma.

O tremor foi sentido por 20 segundos na capital, Roma, e também no Vaticano. O terremoto ocorreu a apenas 10 km da superfície e a 76 km a sudeste de Perugia, às 3h36 do horário local – 22h36 desta terça, no horário de Brasília. Minutos depois, outro tremor, de magnitude 4,6, sacudiu Rieti, na mesma região.

Veja o Poster da USGS com todos os detalhes sobre o terremoto de magnitude 6,2 na Itália Central de 24 de agosto de 2016 

Fotos aéreas mostraram áreas inteiras de Amatrice, que no ano passado foi eleita uma das cidades históricas mais belas da Itália, arrasada pelo tremor de magnitude 6,2.

O terremoto aconteceu em pleno verão local, quando a área, que normalmente é pouco povoada, recebe grande quantidade de turistas.

O prefeito de Accumoli, Stefano Petrucci, disse que cerca de 2.500 pessoas perderam suas casas na cidade, composta de 17 aldeias.

Réplicas

O terremoto principal foi seguido por um outro, de magnitude 3,9, às 3h41, perto de Norcia, na província de Perugia, com epicentro a 7 km de profundidade.

Ao menos 160 réplicas foram registradas no centro da Itália depois do forte terremoto desta madrugada, informou o Instituto Italiano de Geofísica, de acordo com a EFE.

Por que a Itália é tão suscetível a terremotos?

A Itália sofreu na madrugada desta quarta-feira o terremoto mais intenso desde 2009. Abalos de grande intensidade fazem parte da rotina de quem vive ao longo da cordilheira dos Apeninos ─ o último do tipo aconteceu há quatro anos, em 2012, em Medolla, no norte do país, e deixou ao menos 17 mortos.

Por quê?

Segundo dados disponibilizados pela agência governamental americana que monitora desastres naturais, desde 2000 a Itália registrou 12 terremotos de grande intensidade.

A atividade sísmica na região mediterrânea é resultado do grande atrito entre as placas tectônicas da África e da Eurásia. Mas há mais detalhes a serem levados em conta no terremoto da madrugada desta terça-feira.

O Mar Tirreno, no oeste da Itália, entre o continente e as ilhas da Sardenha/Córsega, está se abrindo aos poucos, cerca de 2 cm por ano.

Cientistas dizem que isso vem contribuindo para o "racha" ao longo dos Apeninos. Segundo alguns especialistas, essa pressão é agravada pelo movimento da crosta terrestre no leste, no Mar Adriático, que estaria se movendo para debaixo da Itália.

O resultado é um grande sistema de falhas que percorre toda a extensão da cadeia montanhosa, com uma série de falhas menores aos lados.

Cidades como Perugia e Áquila estão localizadas em cima dessas falhas.

Agora, imagens de satélites que serão tiradas da região dos Apeninos nos próximos dias ajudarão a mapear a área do terremoto. Essas fotos serão comparadas a imagens espaciais anteriores ao tremor de terça, para que se possa avaliar qual foi o movimento das rochas.

Isso ajudará os cientistas a entender precisamente onde e como foi o atrito das placas tectônicas, informação que pode ajudar os especialistas a entender se todo o estresse do choque foi liberado ou se foi acumulado em placas próximas.

Histórico

Apesar de ser mais suscetível a terremotos, a Itália não sofria um tremor de grande intensidade havia quatro anos.

Em maio de 2012, dois abalos ─ de 5.8 e 6.1 de magnitude ─ atingiram o norte do país.

Mas o pior tremor a atingir a Itália recentemente aconteceu em Áquila, em 2009.

Naquele ano, um terremoto de 6.3 de magnitude arrasou a cidade, deixando mais de 300 mortos e outros 1,5 mil feridos. Outras 65 mil pessoas ficaram desabrigadas.

O de maior intensidade de que se tem registro no país ocorreu no início do século passado, em 1905, segundo o monitoramento americano. Foi quando 557 pessoas morreram após um tremor de 7.9 de magnitude atingir as comunas de Monteleone, Tropea e Nonte Poro.

Mas houve tremores ainda muito mais fatais. Um deles foi registrado em Nápoles, em 1980, com um saldo de 4.689 mortes.

G1-2408/2016

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