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O mapa de perfuração de poços exploratórios no primeiro semestre deste ano é o triste retrato do declínio do setor no Brasil. Há pelo menos 16 anos que a exploração no offshore brasileiro não atinge um patamar tão baixo quanto no período, quando foram iniciados apenas quatro novos poços. O dado leva em conta uma série de histórica compilada a partir de janeiro de 1990, com informações disponibilizadas pela ANP até sexta-feira (8/7).

Nos meses de maio e junho, nove sondas, em média, operaram por mês no offshore do país, de acordo com o Rig Count da Baker Hughes, publicado este mês. Trata-se do menor nível de atividade desde 2012, a partir de quando há dados disponívei. O levantamento considera sondas em perfuração, excluindo workover, mobilização etc.

O trabalho de exploração propriamente dito se resume a duas campanhas: Libra, na Bacia de Santos, e Pão de Açúcar, em Campos. A primeira, operada pela Petrobras, entrou em sua fase final com o início da perfuração, em 30 de junho, do último poço previsto nas obrigações acordadas com a ANP. Ao todo foram oito poços de extensão na descoberta licitada em 2013.

Já em Pão de Açúcar, área operada pela Repsol-Sinopec, foi feito um poço de extensão no BM-C-33, e a sonda utilizada, a Rig Mylos, da Ocean Rig, já deixou o país. O trabalho marcou o encerramento do plano de avaliação (PAD) da área, confirmando a extensão da descoberta no pré-sal.

Em Libra, o consórcio liderado pela Petrobras mantém duas sondas, West Carina e West Tellus, afretadas da Seadrill. Outras unidades em operação no país estão envolvidas na perfuração de poços de desenvolvimento, em sua maioria na Bacia de Santos – demanda que não é suficiente para compensar a falta de atividade exploratória.

Foram perfurados no primeiro semestre deste ano 28 poços de desenvolvimento offshore, 22% menos que no mesmo período do ano passado (36 poços). Metade desse poços foram perfurados em Lula e 17 no total foram feitos na Bacia de Santos. Os 11 restantes foram perfurados em Campos.

Atribuir o cenário brasileiro ao preço do Brent pode parecer inevitável, mas o fato é que as campanhas de exploração offshore mínguam por falta de área para explorar. Na Margem Equatorial, onde predominam empresas estrangeiras que contrataram blocos na 11ª rodada, em 2013, as campanhas de perfuração contam com cerca de um ano de atraso, em função da demora para obter licenças ambientais, devendo ganhar forma apenas em 2017. No fim da década de 1990, o país tinha quase 300 mil km² de área exploratória onshore, número que, hoje, mal ultrapassa 70 mil km².

As semelhanças com o offshore brasileiro da década de 1990 não se limitam apenas ao tamanho da demanda, mas à predominância da operação da Petrobras. Entre 2009 e 2011 o Brasil viveu um auge na demanda por poços offshore, que chegaram a 129 em um ano, sendo que 45% da atividade estava nas mãos de outras operadoras. Se dependesse apenas da Petrobras, a indústria repetiria os números do início da década de 2000 (patamar de 70 poços por ano).

Brasil Energia Óleo e Gás - 12/07/2016

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