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  Ancorado nas águas calmas da Baía de Guanabara, durante uma parada de rotina para manutenção, o navio sísmico Ramform Sovereign, recebeu em janeiro, a visita da equipe do Portal Geofísica Brasil, a convite da PGS Investigação Petrolífera, proprietária da embarcação.

Na ocasião, a equipe havia terminado um projeto de aquisição de dados sísmicos na Bacia de Santos e dias depois iria iniciar um novo levantamento em outro bloco da mesma bacia. A serviço da Petrobras desde o final de 2008, o Ramform Sovereign faz levantamento de dados exclusivos (ou proprietários) em áreas de interesse da estatal. A localização exata dos blocos não é divulgada em respeito à confidencialidade exigida no contrato entre as duas empresas.

Ostentando atualmente a bandeira cingapuriana, o Ramform Sovereign foi construído no Estaleiro Aker, na Noruega. O projeto foi patenteado por um engenheiro naval norueguês, chamado Ram que projetou o barco em forma de um triângulo, de modo a facilitar o lançamento e o reboque dos cabos sísmicos. Em homenagem ao engenheiro, a frota de barcos sísmicos da PGS com esse formato padronizado é batizada com nome duplo que se inicia sempre por Ramform e termina, por exemplo, assim: Sovereign, Sterling, Vanguard, Viking, Valiant, Challenger ou Explorer.

"Benchmark"

O Ramform Sovereign tem capacidade para rebocar até 22 cabos (streamers) sísmicos flutuantes de até 8.1 km de comprimento para a pesquisa marítima. Na prática, seu recorde foi um levantamento com 17 cabos simultaneamente. Segundo a PGS, é o navio sísmico mais poderoso em atividade no momento, sendo o atual "benchmark" para aquisições sísmicas 3D, 4D e "wide azimuth", em termos de produtividade, eficiência, segurança e qualidade dos dados".

"Com 102 metros de comprimento por 40 metros de largura e 7,4 metros de calado, o Sovereign é o único navio sísmico da PGS atualmente em atividade na costa brasileira", informou Alexandre Bacellar Neto, gerente de Projetos de Sísmica Multicliente da PGS, que acompanhou a visita. Até março deste, segundo Alexandre, está programada a chegada do Ramform Valiant, outro navio sísmico da PGS que vai adquirir dados na modalidade multicliente na Bacia de Camamu-Almada, na Costa Sul da Bahia. (Ver matéria sobre o Valiant em outra página neste link)

Equipe geofísica

De uma tripulação total de cerca 70 pessoas, incluindo a equipe náutica responsável pela alimentação, saúde, limpeza, segurança e salvatagem do navio, há um time de aproximadamente 25 profissionais que se divide nas tarefas ligadas aos objetivos geofísicos de cada missão.

Observadores, navegadores, processadores, ‘gunners', observadores de biota e a turma do controle de qualidade do Ramform Sovereign são comandados pelo ‘Party-Chief' Per Magne Tengs, responsável pelas equipes da sísmica. Ele responde pelos relatórios finais e faz o contato direto com os escritórios da PGS e com o representante do cliente, no caso atual, a Petrobras.

Navegação

Durante o levantamento sísmico, quem comanda o navio de fato são os navegadores que ocupam uma sala interna e ficam de olho nos computadores para checar o posicionamento da embarcação. Glenn Munroe, chefe dos navegadores, responde pelo controle do posicionamento do navio e dos respectivos "streamers" (cabos flutuantes de aquisição sísmica). Sua missão é manter os cabos perfeitamente paralelos e esticados ao longo de toda a aquisição. Ele explica que a tarefa tem vários complicadores como as correntes marinhas, o vento, as ondas, os mamíferos aquáticos e até um molusco parasita chamado lepa que gruda em superfícies lisas como os ‘streamers'.

"Quando temos que fazer uma curva, o peso dos lepas afeta a estabilidade e o controle dos cabos. Rebocamos, em média, 14 cabos de 8.1 km cada, com 50 metros de separação entre eles, e é importante que todos sigam o mesmo caminho, mas com os lepas grudados, os cabos fazem trajetórias diferentes. Isso complica bastante", relata Munroe.

Outro desafio para os navegadores, segundo ele, vem com a pesquisa sísmica 4D, em que os parâmetros do levantamento realizado no passado tem que ser repetidos com precisão. Nada mal para quem conta com um sistema de posicionamento global (GPS) com margem de erro menor que um metro, mas por outro lado a dificuldade é grande em áreas parcialmente obstruídas por plataformas, sondas e dutos. Munroe considera o mar no Brasil "péssimo" porque, segundo ele, mesmo com tempo bom as grandes ondulações existentes no mar aberto tornam a navegação sísmica um grande desafio.

Processadores

Responsável pelo pré-tratamento dos dados, a equipe dos processadores prepara o material que será entregue ao escritório da PGS no Rio de Janeiro onde será feita a finalização do produto antes de ser entregue ao cliente. Uma cópia dos dados pré-processados é enviada a Agência Nacional do Petróleo - ANP, por força de lei, de acordo com o período de confidencialidade. Os dados são processados em tempo ou em profundidade, conforme a orientação do cliente. Cópia de tudo que for realizado também nessa fase deve ser enviado para a ANP.

Controle de Qualidade

O paulista Juliano Bahia, faz parte da equipe de QC (Controle de qualidade de dados sísmicos). A função deste geofísico graduado pela USP em 2007 é verificar a qualidade dos dados adquiridos pela embarcação. Sua missão é monitorar os dados primários e checar se eles apresentam ruídos, se há interferências sonoras externas, possivelmente causados por outro navio na área. A equipe de três pessoas é formada por dois operadores que se revezam em turnos de 12 horas, mais o chefe da equipe. Em caso de problemas com os cabos em alto mar, Juliano participa da operação de conserto e correção num pequeno barco de trabalho utilizado para resolver problemas externos.

Observador

Técnico em Eletrônica, Gabriel Damico faz parte da equipe como observador. Sua função é cuidar da parte de gravação de dados sísmicos. Responde também pela manutenção e o reparo dos cabos (streamers). A equipe formada por especialistas em eletrônica e informática também cuida da fonte de energia e do software que controla a emissão de sinais sonoros (airguns). Os responsáveis pelo funcionamento dos canhões de ar comprimido (air-guns) são chamados de ‘gunners'.

Mamíferos marinhos

Os observadores de mamíferos marinhos (MMO na sigla em inglês) formam uma equipe que se reveza em regime de plantão para observar a biota em um deque situado acima da cabine de comando do navio. O objetivo destes ‘fiscais da natureza' é avistar animais que possam sofrer algum tipo de impacto ocasionado pelo levantamento sísmico. Se um mamífero é avistado a cerca de um quilômetro de distância do navio, a equipe de MMO dá o alerta aos navegadores. Se houver uma aproximação menor de 500 metros, a equipe sísmica tem que suspender os disparos dos canhões de ar comprimido (air-guns).

Em seguida, é feita uma varredura da área por cerca de 30 minutos e se o animal tiver se afastado, recomeçam os disparos de forma suave (soft start), aumentando paulatinamente até retornar à potência normal de trabalho. Dentre as diversas exigências do órgão ambiental, desde o ano 2000 não é permitido fazer disparos na presença de cetáceos (baleias) a menos de 500 metros da embarcação.

A bióloga Andréa Cordeiro (PhD) é da equipe de MMO da Engeo, empresa contratada pela PGS para coordenar e operar esse serviço, que é executado por biólogos e oceanógrafos. Andréa está na profissão desde o início do boom da sísmica em 2000. Ela conta que para se qualificar para esta função, fez um curso para observadores de bordo na própria Engeo. O curso é reconhecido pelo IBAMA.

"Nas bacias de Campos e Santos, áreas com forte presença de embarcações e plataformas, ao longo do ano todo é comum verificar a presença de tartarugas e golfinhos. Estes, por seu comportamento brincalhão, podem fazer movimentos perigosos na proa do barco e chegam a atrasar alguns levantamentos. Há casos em que é necessário suspender os disparos. Já as baleias têm períodos de reprodução definidos, como a Jubarte que aparece de julho a novembro nas bacias de Campos e Santos", afirmou.

Compêndio

Em um trabalho conjunto, a Everest (empresa coligada à Engeo) e a PGS produziram um compêndio em formato digital intitulado "Monitoramento da Biota Marinha em Navios de Sísmica: Seis anos de pesquisa (2001-2007)". A obra dividida em 14 capítulos contém informações em forma de textos, fotos e tabelas sobre a atividade sísmica e seu impacto na fauna marinha brasileira. Organizado por Renata Ramos, Salvatore Siciliano e Rogério Ribeiro, o livro pode ser baixado na internet neste link.

Fiscalização

Para garantir a qualidade final dos dados, o cliente (Petrobras) mantém um fiscal a bordo para verificar em tempo real se a empresa contratada está realizando o serviço conforme todas as cláusulas previamente estabelecidas no contrato. O geofísico Breno Braga, formado em 2008 pela UFBA, fiscaliza em nome da Petrobras e faz o acompanhamento da aquisição.

"A cada linha (sísmica) eu verifico se as normas estão sendo cumpridas. A profundidade dos cabos (streamers), estabelecida em contrato, é um exemplo de padrão a ser observado. Normalmente, os computadores avisam se há algum padrão errado. Mesmo assim, como representante do cliente, posso checar todos os itens, principalmente no início e no final de cada linha", afirmou Breno, que costuma ficar até 35 dias embarcado, mas em contrapartida depois permanece quase dois meses de folga.

Ao final da visita, um táxi marítimo trouxe o repórter de volta à terra firme junto com parte da equipe de geofísica do Ramform Sovereign que desfrutaria de uma noite livre antes da volta as águas agitadas da Bacia de Santos.

O repórter Fernando Zaider, do Portal Geofísica Brasil, visitou o navio Ramform Sovereign a convite da PGS Investigação Petrolífera

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