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As matérias publicadas pelo portal Geofísica Brasil deveriam estar disponíveis para ...
  Nos últimos 50 anos, o mar avançou mais de 200 metros sobre a planície costeira de Caravelas, na Bahia, destruindo uma grande área de manguezais. O fenômeno natural, conhecido como erosão costeira, em que há o recuo para o interior do Continente da linha de costa, que limita o mar da terra firme, também atinge diversas outras regiões do Nordeste e deve se agravar nos próximos anos devido às mudanças climáticas globais.

“O aquecimento global, além de provocar a elevação do nível do mar, ainda pode alterar a distribuição e a frequência do vento no Nordeste”, diz o professor de geologia costeira e sedimentar da Universidade Federal da Bahia (UFBA), José Maria Landim Dominguez. “Como as ondas são geradas pelos ventos, a direção e a intensidade delas também deve mudar, provocando alterações no transporte de sedimentos ao longo da linha de costa e desencadeando processos erosivos no litoral nordestino”, afirma.

O especialista abordará esse assunto em uma conferência na 62ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que se realiza de 25 a 30 de julho, em Natal (RN).

De acordo com Dominguez, desde o início desta década tem se constatado no Nordeste um aumento na freqüência das ondas vindas do sudeste que, se persistir, agravará os problemas de erosão costeira na região. Mas ainda não se sabe se o fenômeno já está relacionado ao aquecimento global ou é apenas reflexo de uma variabilidade climática natural.

Segundo ele, há mil anos ocorreu na costa leste do Brasil um período de grave erosão costeira desencadeado por uma mudança acentuada na frequência direcional das ondas. Pelas estimativas dos cientistas, é possível que o fenômeno se repita e agrave nos próximos 100 anos, quando o nível do mar deve subir em torno de 50 centímetros, conforme as previsões mais pessimistas do último relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).

“A combinação do aumento do nível do mar com as mudanças na frequência direcional das ondas será desastrosa e vai acelerar o processo de erosão costeira no Nordeste”, prevê. “A partir do que ocorreu no passado podemos nos preparar e tentar proteger as áreas mais vulneráveis à erosão costeira na região”, alerta.

Efeitos

O geólogo explica que o Nordeste é extremamente sensível à erosão costeira porque os rios que deságuam na região trazem um volume muito pequeno de sedimentos. Por isso, são comuns as falésias nos tabuleiros costeiros da região.

O estado de Pernambuco é um dos mais afetados pelo fenômeno no Nordeste. Entretanto, segundo Dominguez, o problema se agravou com a ocupação irregular da costa, onde muitos imóveis foram construídos sobre a faixa de praia, como demonstram estudos realizados pela Universidade Federal do Pernambuco (UFPE). “Há uma grande densidade populacional na zona costeira e no passado foram construídos diversos imóveis muito próximos à praia”, conta.

Na tentativa de minimizar o problema, os órgãos de fiscalização de Pernambuco e de outros estados nordestinos estabeleceram nos últimos anos faixas de recuo, medidas a partir da linha máxima de preamar, no sentido do Continente, onde não devem ser construídas estruturas permanentes. Na Bahia, por exemplo, a faixa de recuo, criada com o objetivo de absorver as variações naturais da linha de costa nas próximas décadas e as decorrentes do aumento do nível do mar, tem uma largura de 60 metros. Em Pernambuco foi estabelecida em 50 metros para os projetos de empreendimentos imobiliários recentemente aprovados na costa do estado.

Já em áreas urbanas consolidadas, em que é impossível reverter o avanço do processo de erosão costeira pelo mar, uma das soluções indicadas, de acordo com Dominguez, é o “engordamento de praia”. O processo consiste na criação de praias artificiais por meio de aterros, a exemplo do Aterro do Flamengo e da avenida Beira-Mar, no Rio de Janeiro.

A palestra do geólogo será no dia 29 de julho, às 10h, no campus da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). A 62ª Reunião Anual da SBPC, cujo tema é Ciências do mar: herança para o futuro, tem centenas de atividades, entre conferências, simpósios, mesas-redondas, grupos de trabalho, encontros e sessões especiais, além de apresentação de trabalhos científicos e minicursos. Veja a programação aqui.

 
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