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Petrobras abrirá160 vagas para geocientistas

 

A Petrobras deverá lançar até o final do ano o edital de um concurso para preencher 160 cargos de geocientista. A metade das vagas deverá ser ocupada por geólogos e a outra metade, por geofísicos. Sem dar detalhes do edital, o gerente executivo de Exploração, geólogo Mario Carminatti*, explicou em entrevista que apesar da demanda por esse tipo de qualificação profissional ser bem maior, a decisão foi tomada em função da capacidade de treinamento que a empresa pode fornecer aos novos contratados.

 


Qual é a demanda da área de Exploração da Petrobras para contratação de geólogos e geofísicos para seus quadros?

Com a atividade crescente que temos, há um programa muito claro e forte em relação à juventude, aos geocientistas que se formam nas universidades brasileiras. Diria mais, que até antes da formatura de geocientistas nas universidades brasileiras temos que nos preocupar. Nosso planejamento prevê a admissão anual de geólogos e geofísicos num número que entendemos ideal para que essas pessoas recebam treinamento. Não adianta contratar grandes números e não dar a esse grupo o treinamento adequado para que as pessoas entrem na atividade do negócio com toda a formação necessária. Temos uma estratégia em que atuamos em todas as universidades para fomentar os cursos de geologia e geofísica. Ao mesmo tempo, participamos da formação universitária, participamos da pós-graduação, temos inclusive o programa Petrobras de Pós-Graduação, para o pessoal já contratado, e temos uma clara posição de contratação anual de um número necessário que tenha condição de ser treinado para entrar o mais rapidamente possível no processo.

Qual seria esse número?

O número é bastante variável. Este ano devemos estar contratando em torno de 80 geólogos e 80 geofísicos.

Quando vai acontecer o concurso?

O edital vai sair por agora.

Quanto tempo o novo contratado leva para se tornar um efetivo exploracionista?

Cinco anos. Não é só passar conhecimento teórico, mas também é a sabedoria, o know-how.

Poderia detalhar as estratégias com as universidades?

Muito simples. A base de tudo é continuar incentivando a entrada de estudantes de geofísica. Atendemos a todos os convites que recebemos das universidades de todo o País para fazer palestras, apresentações. É de nosso interesse. Não fazemos mais porque não somos chamados. Mas somos chamados bastante. É um prazer para nós da Petrobras. É um dever fomentar a entrada de alunos de universidades que tenham bons projetos. Geociências não é só petróleo. É uma área que funciona na base de tudo. Se vai construir, precisa de fundamentos geotécnicos. Se vai fazer exploração de qualquer elemento mineral, precisa de fundamentos geológicos, Se atua no meio ambiente, vai precisar de fundamentos geológicos e geofísicos. Então, as geociências são fomentadas. Em seguida existem aquelas linhas de pesquisa que as universidades adotam e que são chamadas a prestar serviço para a Petrobras e onde elas agregam os alunos que lá estão. Nós não temos uma ingerência direta, mas de uma forma indireta com os alunos que já estão nas universidades através de N programas. Toda essa programação de Redes de Pesquisa nós estamos por trás participando e colaborando. E a partir da formação são feitos programas de admissão e em muitos casos estamos fomentando cursos extras de pós-graduação e mesmo de pesquisa, vide, por exemplo, a UNESP. Trazemos professores do exterior para juntarem-se aos nossos professores, a fim de trocarem experiências e elevarem o nível da Ciência e Tecnologia do nosso país.

Qual o perfil ideal do candidato ao cargo de geofísico da Petrobras? Além dos graduados em geofísica e geologia, serão aceitos também físicos, matemáticos e engenheiros? Existirá alguma restrição a esses segmentos nos próximos concursos?

Nenhuma restrição. A contratação é para atender uma demanda. Se na área da geofísica, a demanda existente for para atender a atividade de processamento, não há restrições. Mas se for para atender ao grupo de interpretação, aí temos que exigir uma base geológica. Não é uma questão de preferência. O trabalho é que determina a demanda. Se for necessário um conhecimento geológico, tem que ser mais para o geólogo. Se for mais para atender a área da Física, de trabalho com algoritmos, até um matemático pode ingressar na empresa. Inclusive alguns físicos que contratamos em 1993 estão sendo fundamentais nos nossos processos. Só depende mesmo da demanda.

Num recente concurso, foi admitido um número menor de geocientistas que a atual demanda. Está havendo algum gargalo?

Não teve isso. A política da Petrobras ficou muitos anos sem contratar. Ai contratou muitos de uma vez. Mas agora queremos contratar um número anual, não apenas que possamos recebê-los, mas também que possamos dar um treinamento adequado, eles precisam ter contato com os mais antigos. Realmente a demanda é muito grande, mas não adianta contratar uma quantidade enorme sem ver a qualidade necessária.

Existe um teto para o treinamento e qualificação com qualidade?

Exatamente. Escolhemos um percentual do número que achamos necessário, e que garanta um nível altíssimo das pessoas que entram. Temos recebido pessoas muito boas. Inclusive, nesses programas de pós-graduação e projetos de pesquisa que têm alunos trabalhando nas universidades, muitos chegam com bom conhecimento sobre petróleo, superior ao de alguns anos atrás. É uma relação entre a demanda e a necessidade de treinamento que possa receber um acompanhamento adequado. Com um número menor, mas todos os anos, essa é a idéia.

Que mensagem você daria aos geofísicos que querem se candidatar a uma vaga na Petrobras?

Eu diria uma palavra, não só para os geofísicos. Todo profissional da área que envolve geologia, na minha maneira de ver, tem que se dedicar à humildade e à lógica. Sem isso, você não faz carreira em qualquer ramo que envolva a geologia. A natureza é tão sábia que ela vive pregando peças nas pessoas que tem a arrogância de dizer que sabem tudo. Que após um, dois, três ou quatro anos de estudo, acham que conhecem os fenômenos físicos, químicos e geológicos que envolvem a natureza. Na prática as pessoas devem ser criativas, humildes e lógicas. Esses são os que melhor andam em qualquer atividade que tem geologia na base. E diria mais: A demanda por profissionais de geociências é crescente e aqueles que tomarem a decisão de entrar nessa área serão muito bem vindos ao nosso grupo na Petrobras.

* A entrevista contou com a participação da gerente geral de Geologia Aplicada à Exploração, Sylvia Couto Anjos.

 

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