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O clima na mira mundial

Agricultura e segurança alimentar, redução de riscos de desastres naturais, saúde e recursos hídricos serão, em um primeiro momento, as áreas priorizadas pelo Marco Mundial de Serviços Climáticos, que foi aprovado no fim de outubro.

Foi praticamente ao mesmo tempo. Enquanto uma tragédia local, o furacão Sandy, castigava os Estados Unidos no fim de outubro, representantes de cerca de 130 nações fechavam um plano de ação com a ideia de ampliar e melhorar serviços climáticos essenciais para enfrentar perigos relacionados com a natureza. Trata-se do Marco Mundial sobre Serviços Climáticos (GFCS, Global Framework for Climate Services, em inglês).

A chegada de Sandy foi coincidência, já que a aprovação do Marco Mundial estava na pauta no Congresso Meteorológico Mundial, realizado de 29 a 31 de outubro, em Genebra. Porém não deixa de ser mais um indício que intensifica a impressão de que os perigos relacionados com o clima parecem cada vez mais frequentes e intensos.

O GFCS surgiu das deliberações da Terceira Conferência Mundial do Clima, em 2009, que tinha como objetivos principais "implantar, melhorar a qualidade, e fomentar o uso dos serviços climáticos nos níveis decisórios dos governos e empresas, para melhor proteger as sociedades mais vulneráveis às variabilidades e às mudanças climáticas", conforme lembra, em entrevista ao Jornal da Ciência, José Arimatea de Sousa Brito, assessor do Instituto Nacional de Metereologia (Inmet) e membro da delegação brasileira ao Congresso Extraordinário da OMM sobre o GFCS.

Objetivos

Ele lembra que o Marco Mundial tem como principais pilares manter e aumentar a disponibilidade das observações meteorológicas e climatológicas; aprimorar a qualidade das pesquisas sobre o clima; melhorar o diálogo com os usuários e facilitar o acesso geral aos serviços climáticos. Brito compara o GFCS à chamada Vigilância Meteorológica Mundial (VMM), criada pela ONU nos anos 1960 e que assegurou "o intercâmbio mundial das informações meteorológicas de forma livre e gratuita".

"A VMM constituiu-se e ainda é a base de um dos maiores programas de cooperação entre as nações de todo o mundo", conta. O GFCS tem objetivos parecidos, só que para os serviços climáticos. "O que é bem mais complexo, pois extrapola o âmbito dos serviços meteorológicos e o domínio da Meteorologia, contemplando outras áreas, como a saúde, água e desastres naturais", detalha.

A implementação do Marco Mundial ficará a cargo de uma Junta Internacional (JI) subordinada ao Congresso da OMM, portanto governamental. Além da criação da Junta, o Congresso Extraordinário aprovou também o regimento interno, os procedimentos de trabalho e o plano de implementação para os próximos anos.

Etapas

Brito revela que entre os pontos pacíficos da discussão sobre o Marco Mundial estava a criação da Junta Internacional e suas atribuições. Para administrar o dia a dia da implementação do Marco foi estabelecido um Comitê Gestor com atribuições executivas. A primeira reunião da JI está prevista para julho de 2013.

"Durante essa reunião, a Junta vai estabelecer seus órgãos subsidiários, vai definir o modo de participação dos parceiros de fora da comunidade meteorológica e iniciar as ações práticas do plano de implementação", explica Brito, acrescentando que foi criado um Fundo Fiduciário para o Marco.

Nos dois primeiros anos, o GFCS vai priorizar o desenvolvimento e a oferta de serviços climáticos nas quatro áreas prioritárias, "aquelas que têm maior potencial de trazer benefícios mais imediatos para a segurança e bem-estar das pessoas", que são Agricultura e Segurança Alimentar, Redução de Riscos de Desastres Naturais, Saúde e Recursos Hídricos.

"À medida que o Marco evolua, outros setores serão contemplados. O GFCS também dará prioridade ao aumento das capacidades dos países menos desenvolvidos e em desenvolvimento, especialmente os mais vulneráveis aos efeitos adversos do clima", conta Brito, acrescentando que já existem projetos piloto no continente africano, como alguns de controle de doenças como malária e dengue, associados à Organização Mundial da Saúde (OMS).

Brasil 

O Brasil participou ativamente de todas as etapas de desenvolvimento do GFCS, desde a Terceira Conferencia Mundial do Clima, inclusive do seu Plano de Implementação, lembra Brito, destacando a atuação do diretor-geral do Inmet, Antonio Divino Moura, que é vice-presidente da OMM.

"A economia do Brasil, o agronegócio e o bem-estar dos brasileiros dependem fortemente do clima. A disponibilidade e o uso de serviços climáticos de boa qualidade têm papel fundamental para gerar oportunidades e minimizar os efeitos danosos dessa dependência", opina. Ele recorda que, diferentemente da área de serviços metereológicos, onde o País tem uma estrutura moderna, no campo dos serviços climáticos, "ainda são necessários avanços significativos, apesar dos progressos alcançados nos últimos anos".

"Como suporte aos serviços climáticos, o Inmet está trabalhando intensamente no processamento eletrônico dos dados históricos de centenas de estações de todo o Brasil. Iniciativas regionais da América do Sul, com liderança do Brasil, estão em andamento, como, por exemplo, a implementação de centros climáticos da OMM", especifica.

Brito explica que, apesar de quase todos os 190 membros da OMM terem serviços metereológicos, muitos países, especialmente os menos desenvolvidos, carecem de recursos para serviços climáticos, de acordo com dados de uma pesquisa da OMM. "O Plano de Implementação do GFCS prioriza projetos para beneficiar inicialmente esses países, melhorando as redes de observações, recuperando dados e capacitando-os a utilizarem os serviços climáticos em áreas críticas da saúde, recursos hídricos, agricultura e desastres naturais", detalha.

A pesquisa feita pela OMM coloca o Brasil nos mesmos níveis dos países desenvolvidos, "refletindo o resultado de possuir boa rede de observações, moderna base de dados climáticos e sistema de modelagem e prognóstico climáticos avançados", conforme lembra o consultor.

Jornal da Ciência - Clarissa Vasconcellos 

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