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Na terça-feira, aconteceu o último eclipse deste ano, às 6h32mn. A Terra ficou alinhada entre o sol e a lua, projetando a sombra para o satélite e fazendo-o desaparecer.

O que é uma superlua? Há quatro a seis por ano

Todos os 27,3 dias a Lua dá uma volta completa em torno da Terra. Como a órbita não desenha uma circunferência, mas uma elipse, a distância entre o satélite natural e o planeta varia todos os meses cerca de 7%, entre um mínimo, 356 574 quilómetros (perigeu) e um máximo, 406 731 km (apogeu). O termo "superlua" surgiu em 1979, num artigo publicado pelo astrólogo norte-americano Richard Nolle na revista "Horoscope", da Dell.

Hoje é usado pela comunidade científica para descrever um fenómeno que acontece quatro a seis vezes por ano, quando as fases de lua cheia (no alinhamento Terra, Lua, Sol, o planeta surge no meio) ou uma lua nova (o satélite está no meio) ocorrem quando a Lua está num intervalo de distância entre os 90% e os 100% da distância mínima à Terra. A influência do perigeu lunar nas marés começou a ser estudada só em 1978.

Detalhes técnicos. 19 de Março, a partir das 18h52

A lua cheia de amanhã será a segunda superlua do ano - a primeira foi a 18 de Fevereiro. Até ao final de 2011 haverá mais quatro - uma fase de lua cheia e as restantes de lua nova. A próxima é já no dia 18 de Abril. No sábado a Lua nascerá em Portugal pelas 18h52 e será visível até às 6h06 de domingo. Apesar de a olho nu ser difícil perceber a diferença, o satélite parecerá 13% maior que durante um apogeu lunar. Nolle adianta que a Lua parecerá cerca de 30% mais brilhante.

Filipe Pires, coordenador do Núcleo de Divulgação do Centro de Astrofísica da Universidade do Porto, explicou que se podem esperar marés fora do normal, uma vez que estas são provocadas pela força de atracção da Lua e do Sol, que é mais intensa quando os astros estão alinhados. Quando a superlua acontece na fase de lua nova a força ainda é maior, porque Sol e Lua puxam na mesma direcção.

MythBuster. Não é a maior superlua dos últimos 18 anos

Tornou-se um rumor viral, como vem sendo comum com os fenómenos celestes - um dos mais recorrentes é o do e-mail que todos os Verões anuncia que o planeta Marte, num determinado dia, poderá ser visto no céu nocturno tão grande como a Lua. Deste vez, a superlua de sábado é apresentada nas redes sociais e em muitos sites como a maior aproximação à Terra dos últimos 18 anos.

Richard Nolle, que gere o site de previsões Astropro, tem tentado desmentir o mito: "A superlua de 19 de Março é de fato a mais próxima do ano, mas não é de forma alguma a maior dos últimos 18 anos, nem sequer a primeira superlua extrema dos últimos anos." Na origem do rumor poderá estar o fato de a lua cheia de Março coincidir com a distância mínima à Terra (uma superlua a 100%). Neste século já foram observadas três, a última a 30 de Janeiro de 2010.

SOS Catástrofe. A tese de Richard Nolle

Richard Nolle não só criou o termo "superlua", como desenvolveu uma teoria que associa o fenómeno a catástrofes naturais como sismos e furacões a uma janela temporal de três a cinco dias. A prová-la, garante, estão o recente sismo de Christchurch, na Nova Zelândia, que coincidiu com a superlua de Fevereiro, ou o furacão Katrina em 2005 (ver gráfico). Uma das associações imediatas nos últimos dias ligava a lua cheia de sábado ao sismo de 8.9 que atingiu o Japão. Nolle rejeita a associação, por ter acontecido fora da janela de risco, mas não tem dúvidas de que é de esperar uma maior actividade sísmica durante este período. Desde segunda-feira, a USGS, centro de referência norte-americano, registou 98 sismos de magnitude superior a 5.0.

Ciência céptica. Sem registos não há provas suficientes

Filipe Pires concorda que, como é de esperar um impacto nas marés e no mar, a perturbação no interior da Terra pode ter impacto na actividade sísmica. Ainda assim, o especialista explica que os dados não são claros. Os sismólogos têm sugerido que pode haver uma relação entre os grandes terramotos. Onno Oncken, do Centro de Investigação em Geociências da Alemanha, é um dos defensores da tese, que tem como fundamento os sismos da última década (Chile, Samatra e agora o do Japão) e outros clusters no século passado. Ainda assim, Oncken diz que o problema acaba por ser o mesmo de todas as teorias: "Temos poucos dados de observação e as correlações são coincidência ou demasiado fracas." Enquanto não surgem respostas, é possível confrontar a actividade sísmica do século passado com a tabela das superluas no site de Nole. Dos 15 sismos mais violentos, sete surgem perto de uma.

Mais vale prevenir. Prepare um kit de emergência

Para Nolle, um exemplo claro de que superlua que representa um risco maior de catástrofe ocorreu o ano passado: a 27 de Fevereiro de 2010 (seria superlua cheia no dia seguinte) um sismo de magnitude 8.8 no Chile entrou na contagem dos mais violentos e provocou um tsunami no Pacífico. Em Portugal a chuva e o vento lançaram o alerta vermelho e o acumular de intempéries em todo o mundo fez correr tinta. O astrólogo acha que esta correlação deve levar as pessoas a apostar na prevenção, sobretudo quem vive ou está em viagem em países mais vulneráveis, como os do anel de Fogo do Pacífico. "O pior que pode acontecer, se não acontecer o pior, é ficar em casa com um stock de pilhas, velas, água engarrafada e comida enlatada."

Sugestões. Festa no Guincho Supermoons

O mote pode estar errado, mas será uma forma de celebrar o fenómeno caso esteja perto de Lisboa. Um grupo de facebookers está a organizar a festa Supermoons, na Praia do Guincho, das 18h às 6h, para celebrar a maior lua cheia dos últimos 20 anos. Pode também procurar um observatório astronómico, se quiser uma leitura mais científica dos acontecimentos. Muitos têm sessões de observação nas noites de sábado, como é o caso do Centro Ciência Viva de Constância. Se vai ficar por sua conta, binóculos ou um telescópio e um local com poucas luzes são sempre boas opções. Não se esqueça do conselho mais precioso dos astrónomos amadores: muitos agasalhos, para não ter de voltar a casa sem ver nada por causa do frio.

E já que falamos da lua: A próxima azul será em 2012

Além das superluas, o outro fenómeno que mais dá que falar sobre o satélite natural - sem contar com a descoberta de gelo nas crateras lunares ou nos aniversários das missões Apollo - é a chamada lua azul. É o nome que se dá à lua cheia quando acontece duas vezes no mesmo mês, fenómeno que só deverá repetir-se a 2 de Agosto de 2012. Uma definição mais antiga chamava lua azul à quarta lua cheia numa estação do ano, normalmente só com três. A homenagem mais famosa ao fenómeno que acontece pela última vez a 21 de Novembro do ano passado é a canção "Blue Moon" de Richard Rodgers e Lorenz Hart, gravada em 1934. Se quiser preparar-se para o evento, tem mais de um ano pela frente para compilar todas as versões.

www.ionline.pt - Marta F. Reis , 18 de Março de 2011
 
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