Paradigm Campanha 02092015
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A queda nos preços das commodities minerais está transformando os setores de mineração e petróleo e gás na América Latina. Os dois vivem a chamada tempestade perfeita, com demanda em declínio, excesso de capacidade e oferta abundante. Isso tem gerado cancelamento ou postergação de projetos na região.

Clau Sganzerla, diretor-executivo da Accenture Strategy, observa que a China responde por 50% da demanda mundial, mas está alterando a sua matriz de desenvolvimento, saindo de uma economia de investimento para outra de estímulo ao consumo.

"Com o minério a US$ 190 a tonelada há quatro anos, o mundo inteiro se preparou para atender a demanda chinesa. Mas agora, como o país reduziu a necessidade de compras, há uma superoferta, que fez com que o preço do minério fosse a US$ 45. Níquel, alumínio, zinco, carvão e cobre também tiveram reduções de preços."

Segundo estudo da PWC, as 40 maiores mineradoras do mundo perderam, em 2014, US$ 156 bilhões, o equivalente a 16% do valor de mercado combinado. Três empresas da América Latina integram o ranking - Vale (5ª), Grupo México (10ª) e Industrias Penoles (29ª).

Não bastasse a conjuntura adversa, o desastre ambiental provocado pelo rompimento da barragem da Samarco deve alterar o setor de mineração. Segundo Ingo Bloger, presidente internacional do Conselho Empresarial da América Latina (Ceal), que reúne 600 líderes empresariais da região, o desastre gerou um alerta mundial sobre os riscos ambientais e vai pressionar o setor de mineração a dar respostas contundentes.

"Além das vidas perdidas, há a questão da contaminação das águas por subprodutos que impedem a manutenção de espécies e o abastecimento da população e das indústrias", diz Bloger. Para ele, a água vai se tornar um tema crucial para a mineração, que compete com o abastecimento humano; e as exigências sociais e ambientais vão aumentar. "Isso será altamente positivo para a sustentabilidade do setor, que deverá ter regras mais rigorosas e processos industriais que reduzam os riscos."

Afonso Sartório, sócio de consultoria do Centro de Energia e Recursos Naturais da EY, cita o caso do Peru, onde tem ocorrido conflitos de interrupção da operação por comunidades circunvizinhas das áreas de produção. "As demandas sociais estão se intensificando na região. Só que, no Peru, a mineração responde por mais de 50% das receitas", diz Sartório.

A Ceal fez um levantamento com base nos estudos "Mineral Commodity Summary" e "Geological Survey" apontando que a América Latina concentra a maior produção e algumas das maiores reservas minerais do mundo. São elas: nióbio (95%), lítio (65%), rênio (54%), grafite (47%), prata (43%), cobre (43%), tântalo (36%), selênio (32%), molibdênio (26%), estanho (25%), ferro (23%), níquel (22%), bauxita (23), petróleo (20%) e terras raras (16%).

Entre as empresas que exploram essas riquezas na região, estão Vale, Gerdau, Votorantim, Anglo American, Yamaha Gold, ArcelorMittal, Codelco, BHP, Industrias Penoles e Grupo México. Sem falar no interesse crescente das mineradoras chinesas, como MMG e China Metals, que estão investindo no continente para assegurar suprimento.

"Há um movimento de revisão de portfólio visando o corte de custos por meio do aumento de eficiência e redução de investimentos a partir do cancelamento de projetos que não foram para frente em função da queda dos preços", ressalta Sartorio. O movimento inclui também estratégias de desinvestimentos por empresas como Petrobras, Vale e Pmex, que estão colocando ativos à venda.

Roberto Santos, sócio de auditoria do Centro de Energia da EY, destaca no setor de petróleo a mudança na geopolítica, com a Opep deixando de ser um regulador natural dos preços. De 2008 a 2014, o preço do barril chegou a US$ 150 o que permitiu a entrada de novas fronteiras de produção como o shale gas americano, o pré-sal brasileiro e fontes alternativas de energia como eólica e solar. "A estratégia da Arábia Saudita ao reduzir os preços não é para mais regulá-los e sim garantir market share."

Com os preços em queda, os governos da América Latina começam a rever seus marcos regulatórios a fim de tornar seus ambientes mais atrativos, diante da competição global por novos investimentos. Um bom exercício é fazer um comparativo entre Brasil e México, os dois principais mercados que hoje estão no radar da indústria mundial de óleo e gás.

Enquanto o México põe fim ao monopólio com um modelo mais liberalizante, o Brasil reluta em mudar o modelo baseado no regime de partilha e na Petrobras como operadora única do pré-sal. "O Brasil tem modelos que só existem aqui, como a PPSA, criada para representar o governo nos consórcios do pré-sal e no controle dos programas de exploração", diz Daniel Rocha, diretor executivo da Accenture Strategy e líder da área de energia.

Com operações no Brasil, na Argentina, na Venezuela, no México, no Peru, na Colômbia, no Uruguai, em Trinidad e Tobago e na Guiana Francesa, a Shell tem presença forte tanto na exploração e produção quanto na distribuição de derivados. Porém, como todo o setor, está bastante seletiva.

André Araújo, presidente da Shell, explica que a política de avaliação de investimentos da empresa leva em consideração três aspectos. Em primeiro lugar, avalia-se se o país é estratégico. Em segundo, realiza-se uma análise técnica das áreas ofertadas. E, por fim, a empresa faz um ranqueamento em relação a outras oportunidades no mundo.

"México e Brasil são estratégicos porque têm algumas das maiores reservas de hidrocarbonetos. Não fizemos propostas firmes, mas avaliamos até a véspera. Só que, com o preço em queda, ficamos muito mais criteriosos."

Valor Econômico - 04/12/2015 - Carmen Nery

Comentários   

#1 roberto breves vianna 16-12-2015 17:51
Ao falar em "minério" seria bom que o articulista definisse qual minério, já que existem minérios de ferro, chumbo, zinco, aluminio e de quase toda tabela periódica.Dá para concluir que ele está se referindo a minério de ferro, mas o artigo deveria definir melhor!!!
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