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Paradigm Campanha 28082014

À espera de mudanças

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A projeção do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) para 2014 aponta para uma receita de US$ 43 bilhões da produção mineral brasileira. Caso confirmada, serão US$ 10 bilhões a menos que em 2011, ano de recorde histórico para o setor.

Tal prognóstico é uma ducha de água fria num mercado acostumado a saltos sucessivos na produção entre 2001 e 2011, saindo de US$ 5 bilhões para US$ 53 bilhões. Segundo o presidente do Ibram, José Fernando Coura, a mineração brasileira amarga um momento de dificuldades e de preços em queda. "A previsão é também de redução de investimentos, sobretudo em exploração mineral, de acordo com as próprias projeções divulgadas pelas mineradoras para os próximos cinco anos."

A mineração tem contribuição decisiva para a balança comercial e para a interiorização do crescimento econômico. Segundo o Ibram, o saldo da balança mineral de 2013 foi 12,5 vezes maior que o saldo da balança comercial do país como um todo.

Enquanto a mineração apurou quase US$ 32 bilhões (8% mais que em 2012), o superávit comercial do Brasil mal chegou a US$ 2,6 bilhões (87% menor que o do ano anterior). Pelos dados do Ibram, os embarques que puxaram as exportações do setor foram os de minério de ferro, com US$ 32,5 bilhões (4,8% a mais que em 2012). Vieram a seguir as vendas externas de ouro em barras, com US$ 2,66 bilhões (+ 14%); cobre, com US$ 1,83 bilhão (+ 20,9%); e nióbio, com US$ 1,6 bilhão (queda de 11,3%).

No ano 2000 o setor era responsável por 0,59% do PIB brasileiro, percentual que chegou a 5% em 2013. Mas os líderes setoriais entendem que o refluxo das previsões de produção e investimentos decorre das indefinições e demora na votação pelo Congresso do PL 5.807/2013 - ou Marco Regulatório da Mineração - que substitui o decreto-lei 227, de 1967. 

Segundo eles, esse vácuo inviabiliza o planejamento antecipado de negócios, frente à crescente demanda mineral induzida pelo processo de urbanização de países emergentes com expressivas áreas territoriais, alta densidade demográfica e alto PIB.

Na visão do consultor da área de mineração José Mendo, o cenário atual é de insegurança jurídica. "A mineração, por sua própria natureza, convive bem com o risco, mas não com a incerteza regulatória", diz. Ele lembra que governo começou a pensar em substituir o marco há quatro anos, sendo que só no Congresso a proposta está há dez meses e dificilmente terá um desfecho neste ano eleitoral. "Com isso a mineração fica no pior dos mundos, que é o do limbo jurídico."

Uma das medidas propostas pelo governo para a concessão de exploração de uma jazida é a de substituir o "direito de prioridade" (regime que garante ao primeiro interessado que se apresentar para explorar uma jazida recém-descoberta o direito de assim fazê-lo) por uma nova modalidade: a da licitação. Como toda licitação tem um edital com regras bem definidas, uma das dúvidas dos empresários é saber se uma empresa que já havia desenhado com antecedência o modelo de negócio de determinado projeto de exploração (e vier, porventura, a vencer o processo licitatório), irá conseguir encaixar o seu plano original dentro das regras do edital.

Em relação à China, que é o maior cliente brasileiro de minério de ferro, Mendo acha que não haverá grandes mudanças em 2014. O governo chinês está empenhado em cumprir as metas de redução de emissões de gases do efeito-estufa nas áreas industriais do país. "Combinado com o interesse estratégico do governo chinês de usar minério produzido em seu próprio país, que é de baixo teor, será preciso agregar a ele sempre minério de melhor teor, caso do produto brasileiro", diz.

Os preços do minério de ferro no mercado internacional, segundo preveem especialistas, devem oscilar entre US$ 120/130 por tonelada, sem grandes solavancos em relação ao segundo semestre de 2013.

Entre os grandes do setor, a Vale estima produzir este ano 312 milhões de toneladas de minério de ferro e 43,8 milhões de toneladas de pelotas. A companhia já havia registrado recorde de vendas de minério de ferro e pelotas em 2013 (305,6 milhões de toneladas). Seus principais clientes são os mercados asiáticos, com 64,9% das vendas de minério de ferro e pelotas. A China por si só ficou com 47,7% do total, seguida por Brasil (11,8%) e Japão (10,2%).

A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) projeta exportar 37 milhões de toneladas de minério de ferro, além de destinar 7 milhões de toneladas para o mercado interno. "O principal destino do minério exportado pela CSN é a Ásia, com 77% do total, sendo que o restante basicamente é exportado para a Europa", informa Daniel Santos Júnior, diretor de mineração. "O minério de ferro produzido pela CSN é competitivo e a produção de suas minas encontra-se no primeiro quartil da curva de custos do mercado transoceânico", declara.

Pelos lados da Samarco (joint venture entre Vale e BHP Billiton) - que exporta praticamente 100% de sua produção de pelotas de ferro -, o diretor comercial Roberto Carvalho informa que os embarques para a China têm se reduzido nos últimos anos mais por estratégia da companhia do que pelo comportamento da siderurgia chinesa. A Samarco tem duas unidades industriais em Minas Gerais e no Espírito Santo, que são interligadas por dois minerodutos com 400 km de extensão cada, além de um terminal marítimo próprio em Ubu (ES). A mineradora inaugurou neste mês sua quarta usina de pelotização em Ubu. Com a ampliação, a empresa passa a uma capacidade total de 30,5 milhões de toneladas de pelotas de minério em um só local, atrás apenas da Vale, que pode produzir 36 milhões de toneladas em seu complexo de Tubarão, ao lado de Vitória (ES). 

Segundo Carvalho, a Samarco tem participação de 20% no mercado global de pelotas de minério de ferro. Vende 15% da produção para China, 30% para Oriente Médio e norte da África, 20% para a Europa, 20% para o restante da Ásia e 15% para as Américas. "Por volta de 2005 chegamos a vender mais de 40% de nossa produção para os chineses", conta Carvalho. Isso ocorreu porque outros mercados estavam em crise e foi preciso focar no grande importador.

Queda de aportes afeta toda a cadeia produtiva

Pelas projeções mais recentes do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), de US$ 75 bilhões anunciados para o período 2012 - 2016, o valor dos investimentos do setor mineral decaiu para US$ 53,6 bilhões (2014 - 2018). São 28,5 % a menos de recursos previstos para o novo quinquênio em
relação ao anterior. O presidente da entidade, José Fernando Coura, alerta que a redução dos investimentos futuros impacta diretamente na cadeia produtiva e nas indústrias metal mecânica e elétrica. 

Muitas das grandes companhias de mineração, no entanto, continuam tocando a todo vapor projetos de ampliação de produção e de logística elaborados há alguns anos. É o caso da Vale, que sabe muito bem que a mineração depende tanto do minério como da logística para ser competitiva.
A empresa tem um orçamento previsto para 2014 de US$ 14,7 bilhões, sendo US$ 9,3 bilhões para a execução de projetos e US$ 4,5 bilhões dedicados à manutenção das operações existentes, além de US$ 900 milhões para P&D.

O principal projeto de minério de ferro - o maior da história da Vale - é o Carajás S11D, um investimento total estimado em US$ 11,58 bilhões, a ser iniciado neste semestre (em 2014 serão aplicados US$ 1,9 bilhão) e concluído em 2018. O projeto inclui a duplicação de 570 km da estrada de
ferro; a construção de um ramal ferroviário com 101 km; a aquisição de vagões, locomotivas e expansões onshore e offshore no terminal marítimo de Ponta da Madeira, adjacente ao Porto de Itaqui e próximo à capital maranhense São Luís. No caso da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), a expectativa é de investimentos de R$ 1,5 bilhão em mineração neste ano. Serão aplicados na expansão da mina de Casa de Pedra, em Congonhas (MG), do Porto de Itaguaí, no município de Itaguaí (RJ) - onde a CSN administra dois terminais - e na mineradora controlada Namisa (Nacional Minérios S.A.). 

A quarta usina de pelotização da Samarco, na unidade de Ubu, em Anchieta (ES), concluída neste mês, exigiu R$ 6,4 bilhões, sendo US$ 1,7 bilhão levantado em emissões de bônus nos EUA e o restante do caixa próprio da Samarco. O investimento permitirá um salto de 37% na produção, que
passa a ser de 30,5 milhões de toneladas de pelotas de minério por ano.

Valor Econômico - 22/04/2014 - Juan Garrido

 

 

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