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Minas Gerais tem terreno produtivo para fertilizantes

Novos projetos de investimento na produção de fertilizantes fosfatados devem sair da gaveta em Minas Gerais, num cenário de projeções favoráveis desenhado por empresas como a Vale e a B&A Mineração, colocando o Brasil em evidência no ranking dos grandes fornecedores de alimentos no mundo.

O diretor de Fertilizantes e Carvão da Vale, Roger Downey, informou que a empresa está em estágio avançado nos estudos da engenharia básica para explorar rochas fosfáticas em Patrocínio, no Noroeste do estado, o chamado projeto Salitre.

Novata no ramo, a B&A Mineração também estuda seu ingresso no segmento de fosfato em Minas, anunciou Eduardo Ledsham, presidente da empresa criada há um ano pelo banco de investimento BTG Pactual e o ex-presidente da Vale Roger Agnelli, sem revelar a região.

Os municípios mineiros de Araxá e Tapira, ambos no Alto Paranaíba, detêm duas das maiores reservas de rochas fosfáticas do país, ao lado de Catalão, em Goiás, segundo levantamento do Departamento Nacional da Produção Mineral (DNPM). Há jazidas menores em Patos de Minas e Poços de Caldas, ao Sul do estado. Os grandes entraves aos investimentos da iniciativa privada, no entanto, estão associados aos recursos públicos escassos destinados à pesquisa mineral e à falta de incentivos ao desenvolvimento da produção, reconhece o diretor de Desenvolvimento Sustentável da Mineração do Ministério de Minas e Energia, Edson Farias Mello.

O tema foi debatido ontem, em Belo Horizonte, no encerramento do 15º Congresso Brasileiro de Mineração, realizado pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram). Há estimativas de que as importações de fertilizantes fosfatados dominam 55% do consumo no Brasil. Para Marcelo Ribeiro Tunes, diretor de Assuntos Minerários do Ibram, o regime fiscal que beneficia a importação desestimula os investimentos. "É absurdo o fato de o fosfato importado circular no Brasil sem o pagamento de imposto como o cobrado da indústria nacional (o ICMS)."

De acordo com o Ibram, os investimentos nos chamados agrominerais em subsolo brasileiro num período estimado de cinco anos – entre 2012 e 2016 – vão somar US$ 8,877 bilhões. O DNPM registra 2.330 concessões de lavra de agrominerais e apenas 34 títulos de lavra. Os números são modestos se comparados ao potencial do país, de acordo com Roger Downey, da Vale. O executivo afirmou que, apesar da aplicação ainda baixa de fertilizantes, o potencial do agronegócio nacional poderia levar o Brasil a consumir três vezes e meia a mais de fertilzantes em relação aos EUA. O país consome 149 quilos de nutrientes por hectare ao ano, os EUA 206 quilos e a China 285 quilos por hectare. Os dados são de 2010.

Demanda

Outra indicação de que há muitos investimentos a ser feitos pela indústria é a concentração de 80% das entregues de fertilizantes no Brasil – estimadas em 12,2 milhões de toneladas no ano passado – em apenas seis culturas: soja, milho, cana de açúcar, café, algodão e arroz. Quando a estatística é analisada por estados, o líder é o Mato Grosso (16%), seguido de São Paulo (15%) e Minas Gerais e o Paraná (13%). Projeções da consultoria Agroconsult e da Vale Fertilizantes indicam que a demanda brasileira de fertilizantes crescerá 3,8% ao ano até 2017.

Estado de Minas - 27/09/2013 - Marta Vieira


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