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  Nem o excesso de algas, nem a poluição. As causas do problema da mortandade de peixes na Lagoa Rodrigo de Freitas, Zona Sul do Rio de Janeiro, são geológicas e não ambientais, como muitos pensam.

Um gás tóxico – que pode ser sulfídrico (H2S), carbônico (CO2) ou metano (CH4) -- proveniente do subsolo, torna o ar e a água irrespiráveis e pode ser o grande responsável pelo mau cheiro que toma conta da lagoa e pela morte rápida de toneladas de peixes.

A conclusão inédita é do pesquisador Valiya M. Hamza, coordenador do Laboratório de Geotermia do Observatório Nacional (ON), onde é professor titular. A partir de observações diretas e estudos de terceiros que ele conseguiu reunir, Hamza supõe que existem bolsões de gás que chegam por baixo do fundo lodoso através de uma falha geológica que corta a parte norte da Lagoa. Segundo o pesquisador, quando há um aumento de pressão, o gás sobe, atravessa o lodo e infesta a superfície. Dependendo da quantidade e do tipo de gás, ocorre a morte em massa de peixes.

A utilização do gás em questão não é economicamente viável, mas uma das soluções para evitar a mortandade seria a liberação permanente dos gases através de dutos espetados no fundo da lagoa. Essa medida poderia evitar surpresas desagradáveis como, por exemplo, se o fato se repetisse em meio aos jogos olímpicos de 2016, o que não seria nada bom para a imagem do Rio de Janeiro.

Especialista em Geotermia, Hamza conta que se interessou pelo problema depois de observar os sócios do clube onde pratica tênis, às margens da Lagoa, que reclamavam do odor desagradável, que supostamente viria dos banheiros mal conservados. Para chegar a essa abordagem inédita de um problema tão antigo, o pesquisador realizou um estudo de conteúdo científico através da observação direta e da reunião de diversos trabalhos técnicos e notícias de jornais que citam o problema. A primeira menção à mortandade de peixes da Lagoa Rodrigo de Freitas foi feita há mais de 350 anos pela Câmara de Vereadores e a primeira proposta para acabar com o problema foi apresentada em 1877 pelo Barão de Lavradio, que presidiu na época do Império a Junta Central de Saúde Pública e atribuia o mau cheiro à exalação de toxinas das algas.

"Os mecanismos propostos até o momento, tais como: despejo de esgoto, queda na oxigenação, crescimento das algas, efeito de fluxos hidráulicos nos canais ou mudanças climáticas induzem efeitos apenas secundários, mas são incapazes de gerar as características observadas das mortandades. Nesse contexto, achei conveniente examinar as características geológicas e geofísicas locais, relevantes para identificar as causas do problema em questão. Observei, então, que o “graben de Guanabara” abriga baías e sistemas lagunares, e apresenta indícios de atividades neotectônicas; é caracterizada pela presença de intrusões magmáticas alcalinas, do período Cenozóico e há campos de petróleo e gás na margem continental adjacente", informou Hamza.

O problema não se restringe apenas à Lagoa Rodrigo de Freitas, que tem mais visibilidade por sua localização privilegiada e sua condição de cartão postal carioca. Mas ele se repete em outras áreas do litoral fluminense. Hamza mostrou no mapa geológico da região a presença de várias falhas provocadas por neotectonismo. Essas falhas permitem o fluxo de fluidos de gases. Ele conta que há diversos testemunhos de pequenas emanações de gás na Baía de Guanabara e em outras localidades com formações geológicas semelhantes como as lagoas da Tijuca, do Camorim e de Jacarepaguá, todas no Rio de Janeiro.

Através de gráficos comparativos, Hamza demonstrou que a morte dos peixes não poderia estar ligada ao aumento da presença de coliformes fecais. Outra comparação diz respeito a hipótese do excesso de algas. Sim, em grandes quantidades elas podem retirar oxigênio da água e intoxicar os peixes, mas é um processo que dura cerca de duas semanas e não as poucas horas em que costumam ocorrer as súbitas mortandades. Em dois ou três dias o cheiro também desaparece. Outra explicação comum que, segundo Hamza, não é possível confirmar é a de que a fluxo de água salgada do mar na Lagoa, pelo canal do Jardim de Alá, poderia provocar a morte em massa de peixes em tão pouco tempo. Segundo Hamza, não haveria volume suficiente para isso.

O pesquisador iria demonstrar sua hipótese sobre as causas da mortandade de peixes na Lagoa Rodrigo de Freitas para as autoridades estaduais e municipais durante uma audiência pública realizada em 9 de março na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro. Ele chegou a comparecer ao local, mas por excesso de oradores e falta de tempo, ficou impossibilitado de fazê-lo. Por este motivo, o estudo foi apresentado pela primeira vez nesta quarta-feira (24/03) no ciclo de palestras para alunos do Observatório Nacional.

Clique aqui para baixar a apresentação completa.

 
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