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RJ recebe simpósio internacional de instrumentos científicos

RJ recebe simpósio internacional de instrumentos científicos

Telescópios, microscópios, barômetros e outros importantes recursos técnicos, essenciais para a pesquisa, são tema do 31º Simpósio Internacional da Comissão de Instrumentos Científicos (SIC Symposium), que começou ontem (8), no Museu de Astronomia e Ciências Afins (Mast), no Rio de Janeiro.

O objetivo do evento é estimular a pesquisa acadêmica em disciplinas como história dos instrumentos científicos, preservação, conservação e documentação de coleções de instrumentos, além de matérias em campos como patrimônio científico, museologia e história das ciências.

O evento, ao longo de três décadas, já passou por países europeus (o primeiro foi a Romênia), Estados Unidos, Canadá, China, entre outros, e pela primeira vez desembarca no Hemisfério Sul. O Rio de Janeiro foi a cidade escolhida e até 12 de outubro recebe pesquisadores de todo o mundo para conferências, plenárias e sessões de pôsteres.

Marcus Granato, coordenador de Museologia do Mast e organizador do simpósio, afirma que foi uma "surpresa" receber mais trabalhos de brasileiros que estrangeiros. "Isso demonstra a necessidade de se investir mais nessa área. Espero que o simpósio nos ajude e traçar novas perspectivas", conta, acrescentando que serão 75 papers, apresentados oralmente ou em pôsteres.

Evolução

Além dos trabalhos, haverá observação do céu por meio de um telescópio histórico e visitas técnicas a museus que incluem algumas das mais importantes coleções de instrumentos científicos históricos do País, como Museu Nacional, Museu Histórico Nacional (MHN), Museu Imperial (Petrópolis) e Observatório do Valongo. Este ano, o evento abordará os temas e desafios relacionados à pesquisa, interpretação e promoção dos instrumentos científicos de valor histórico sob o aspecto da utilização, comércio e intercâmbio desses objetos entre a Europa e as Américas.

A cerimônia contou com a presença do presidente da Scientific Instrument Commission (SIC) e representante da Fondazione Scienza e Tecnica, Paolo Brenni, que destacou o trabalho do Mast na preservação dos instrumentos históricos. "Era o momento certo [para realizar o evento no Brasil]. Nos últimos anos venho notando um grande progresso do País na área", conta Brenni ao Jornal da Ciência.

Por sua parte, Maria Margaret Lopes, diretora do Mast, lembrou que os interesses e missões do Museu e da SIC "estão próximos" e buscam "aumentar o interesse pela pesquisa científica e a popularização da ciência". Ela lembra que o País hoje tem a oferecer mais de 2.000 instrumentos e objetos científicos históricos e que o tradicional edifício do Mast "tem muito a contar" a respeito da trajetória da astronomia brasileira.

Usos dos instrumentos

A pesquisadora Silvia Figueirôa, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), apresentou a conferência de abertura, na qual falou sobre o 'Uso e circulação dos instrumentos científicos históricos'. Ela começou dizendo que a própria definição do que é um instrumento científico pode variar de acordo com fatores como época e local, citando vários estudiosos do tema, como Deborah Jean Warner.

Silvia descreve distintos papeis que esses objetos podem ter, passando pela política, pela estética, pelas convenções sociais, por exemplo, de modo que interessam também a estudiosos de campos como filosofia e história natural. Em outro plano, mais técnico, esses instrumentos funcionam como ferramentas de medição, de produção industrial ou educacionais e didáticas, entre outras acepções. Ademais, a pesquisadora lembra que os instrumentos atuam como intermediários entre o objeto a ser estudado e o cientista, ajudando a superar importantes limitações humanas, seja criando condições artificiais para uma pesquisa ou registrando o comportamento de fenômenos, entre muitas situações.

Ciência e colonialismo

Citando a Leitão e Alvarez, Silvia lembra que "o Brasil resultou do aperfeiçoamento do uso de instrumentos científicos", pois foi graças ao investimento em pesquisas e elaboração desses objetos que países como Portugal e Espanha puderam explorar o mundo. Os padrões de viagem, conforme ela recorda, vão se aperfeiçoando junto com os instrumentos ao longo dos séculos de colonialismo.

A pesquisadora afirma que, nos dias atuais, muitos instrumentos funcionam como "tijolos" que fortalecem as instituições ou mesmo propulsionam a criação delas. E cita como exemplo os aceleradores de partículas, que centralizam as atenções da Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (conhecida como Cern) ou do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron. E atuam até como parte da identidade de cientistas ou de instituições. "Muitas delas têm instrumentos em seus logotipos", conclui.

Clarissa Vasconcellos - Jornal da Ciência

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