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A urgência de se criar um banco de dados gravimétricos organizado no Brasil tem sido destacada por vários especialistas e entidades do setor durante mesa-redonda realizada em Brasília.

Surpreendentemente, no exterior existe uma base de dados do Brasil até uma determinada época. E esses dados são comercializados no mundo inteiro. A informação é do diretor geral da Sociedade Brasileira de Geofísica (SBGf), Renato Lopes da Silveira, que trabalha no Banco de Dados de Exploração e Produção (BDEP) da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), entidade que será responsável por centralizar e abrigar os dados do Banco Nacional de Dados Gravimétricos (BNDG).

Bem próximo de se tornar realidade, o BNDG será gerido por diversas instituições reunidas em uma comissão gestora responsável, entre outros assuntos, pela guarda e a liberação dos dados para consulta por instituições de pesquisa e empresas. A criação da comissão gestora do BNDG foi o principal passo dado pela comunidade geofísica que trabalha com gravimetria para realizar um projeto que levou mais de 20 anos para se consolidar.

Petrobras, Universidades, Institutos de Pesquisa , Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Companhia de Pesquisa e Recursos Minerais (CPRM), Sociedade Brasileira da Geofísica (SBGf) e a Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP) são algumas das instituições envolvidas na criação do BNDG e indicarão representantes para a comissão de gravimetria.

A criação do BNDG foi tema de uma mesa-redonda realizada em novembro no IV Simpósio Brasileiro de Geofísica, em Brasília, que teve a participação de Benedito Souza Gomes (Petrobras), João Carlos Dourado (Unesp), José Ribamar Lopes Bezerra (ANP), Maria Cristina Lobianco (IBGE), Mauro Andrade de Sousa (ON), Naomi Ussami (USP), Renato Silveira (ANP/SBGf), Roberta Vidotti (UnB) e Luiz Henrique (ANP).

Aceso público e gratuito

Segundo José Ribamar Bezerra, da ANP, um dos responsáveis pelo projeto, os dados armazenados serão de acesso público e disponibilizados gratuitamente pela agência, por meio de um sistema já desenvolvido e testado pela equipe de tecnologia de informação da instituição.

A ANP já possui estrutura organizacional para armazenar esses dados, do mesmo modo que é feito no BDEP. De acordo com Renato Silveira, foi desenvolvida uma ferramenta que possibilita o envio eletrônico dos dados, via Internet, por parte de instituições e pesquisadores.

"Agora, pretendemos criar um padrão, de forma a tornar mais uniforme a coleta e a organização dos dados gravimétricos, além de pleitear junto aos principais agentes como Petrobras, a CPRM, e o próprio Ministério de Minas e Energia o desenvolvimento de projetos para levantamento de novos dados", antecipou o diretor-geral da SBGf.
O banco deverá ser público, mas os dados primários, cedidos ao BNDG, só poderão ser liberados mediante a apresentação de um projeto que será analisado pelo comitê gestor. Modelos gravimétricos digitais serão elaborados e disponibilizados gratuitamente a todos os interessados. A solicitação e a liberação de dados das estações gravimétricas terá um custo de manipulação para empresas e haverá uma cota gratuita no caso de solicitação para ensino e pesquisa, em esquema similar ao praticado atualmente no BDEP.

"O custo será compatível, pois a proposta é alavancar pesquisas, aprimorar o detalhamento desses dados que servirão tanto para as atividades de exploração de petróleo quanto para a área de mineração, meio ambiente, engenharia etc., além da própria pesquisa científica", argumentou Renato, que considera estratégico para o país dispor de um banco de dados gravimétricos único, que seja acessível à toda a comunidade acadêmica e às empresas.

"Os dados gravimétricos são usados para determinar o geóide, que é a forma da Terra. Daí a importância da integração dos dados terrestres com dados marítimos, assim como a calibração de dados de aerogravimetria com os terrestres, para corrigirmos qualquer distorção. Nas áreas de mineração e de petróleo, esses dados são fundamentais para se estudar a gênese das bacias, para conhecermos melhor a sua estrutura".

Mapa Gravimétrico do Brasil

Outra meta do BNDG, além de reunir e centralizar os dados disponíveis, será a de elaborar um mapa gravimétrico do Brasil, em formato digital, que será publicado futuramente, além de continuar adquirindo novos dados em um trabalho de contínuo aprimoramento do conhecimento do campo gravimétrico do Brasil.

"Quanto maior a quantidade de dados, maior a redundância e, consequentemente, melhor será a qualidade da interpretação dos exploracionistas. Por isso o processo é contínuo: vamos publicar novos mapas a cada cinco anos, por exemplo, que deverão ter uma resolução muito melhor a cada edição", prevê o diretor da SBGf.

Segundo a pesquisadora Naomi Ussami, do IAG-USP, os benefícios de tal iniciativa levariam a gravimetria do Brasil a uma posição de destaque mundial. Em depoimento ao site da SBGf, Naomi salientou que o banco de dados nacional representa um grande avanço e proporciona, entre outras vantagens, uma redução significativa de custos para a indústria e para os institutos de pesquisa, uma vez que muitas áreas dispensam novos levantamentos. No entanto, segundo a pesquisadora, é necessário que instituições e pesquisadores se mobilizem no sentido de compartilhar os dados levantados.