Otimização da Produção do Reservatório
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Hernani A.F. Chaves (1) e Cleveland M. Jones (2)

O preço do petróleo caiu mais de US$100 desde 2008, quando o pico atingido foi de US$145. Os preços atuais tornam inviáveis muitos projetos novos, considerando que estão abaixo do ponto de equilíbrio desses projetos. Em termos absolutos, há pouca margem para diminuir esses preços ainda mais, embora alguns considerem que o petróleo poderá atingir US$10. As variações de preço lembram uma montanha russa (Figura 1). Após a queda em 2014, o preço sofreu várias oscilações, mas fechou o ano em níveis que não eram vistos desde o início de 2009, durante a crise financeira.

hernani fig01 artigo 25022016Figura 1 – Preço spot do Brent, 2008 a 2015 - Uma “Montanha Russa”, com algumas quedas quase lineares...Dados do US-EIA.

 

Com a OPEP mantendo sua produção elevada, e o armazenamento global próximo do seu limite, devido a um inverno menos rigoroso no hemisfério norte, em 2015 (menor demanda de combustível para aquecimento), ainda há um risco de queda. Deve ser lembrado que tais preços são extremamente voláteis e sensíveis a diferentes fatores. Como exemplo, podemos mencionar que no início de 2016, devido a fortes tempestades no Mar do Norte, algumas plataformas de produção foram evacuadas, parando sua operação e reduzindo a produção de forma significativa. O que se pode afirmar é que a conjuntura atual está criando forte incerteza, levando à paralização de projetos e à falta de investimento de maneira geral, no mundo, e particularmente nos países mais dependentes da indústria do petróleo, incluindo o Brasil, que sofrem mais com a baixa do preço do petróleo. No entanto, é necessário um planejamento e a continuidade dos projetos de longo prazo, para assegurar a reposição das reservas no futuro.

A reação que as grandes empresas de petróleo têm exibido, frente à queda brusca do preço do petróleo, tem sido a retração da atividade exploratória. Até mesmo as petroleiras de maior porte decidiram reavaliar seus investimentos, sendo a América do Norte a região com maior redução dos investimentos, da ordem de 35%.(3) Nos EUA, 1.135 sondas de perfuração foram paralisadas em 2015 (mais de 60%).(4) Muitas delas estão sendo canibalizadas para manter outras em atividade, e não poderão voltar a operar. No Brasil, os 215 poços exploratórios perfurados em 2012 ficaram reduzidos a 77 em 2015,(5) e a perfuração de poços pioneiros caiu de 100 para 21,(6) o que significa que as petroleiras estão preferindo desenvolver as acumulações conhecidas ao invés de buscar novas ocorrências.

Novos projetos exploratórios, que poderão resultar em descobertas e novas fontes de produção de O&G;, são de longa maturação (7 a 10 anos para iniciar a produção), e levarão anos para serem retomados. Em decorrência da queda de atividades exploratórias, pequenas empresas de O&G;, tanto de exploração e produção como de serviços, deverão fechar as portas. A queda nos investimentos em projetos de E&P; cria uma situação preocupante, com respeito à reposição das reservas que estão sendo depletadas pelo ritmo atual de produção, pois é a atividade exploratória, ora praticamente paralisada, que gera novas descobertas, que, por sua vez, poderão resultar em novas fontes de produção de O&G.;

Ainda que algumas empresas encontrem dificuldades em lidar com os baixos preços do petróleo, muitas se organizaram e hoje conseguem conduzir seus negócios com o atual ambiente de preços. Mesmo com a baixa recente nos preços, a produção mundial continuou crescendo, e o consumo continua sendo da ordem de 92 milhões de barris por dia, com perspectivas de relativa estabilidade. Hoje se tem uma previsão de um crescimento da demanda de no máximo 1%.

Historicamente, a produção se manteve relativamente estável, frente à volatilidade dos preços (Figura 2). Entretanto, continua havendo um excedente de produção, em relação ao consumo atual, de algo como 1,5 milhão de barris diários, o que tem ajudado a manter os preços deprimidos.

hernani fig02 artigo 25022016

Figura 2 – A relativa estabilidade da produção, em relação à volatilidade dos preços do petróleo. Preços - Dados da www.inflationdata.com. Produção – Dados do US EIA.

 

Fortes oscilações dos preços de petróleo não são novidade na indústria de óleo e gás, mas o abalo nas grandes empresas de perfuração na indústria de O&G; nos Estados Unidos jamais durou mais de dois anos, mesmo nas crises dos anos 80. Na verdade, pouco resta a baixar no preço do petróleo. E a perspectiva para os próximos anos não é de preços tão baixos como os atuais, podendo, inclusive, haver uma forte alta num horizonte de alguns anos. Se ocorrerem novas paralizações da produção em importantes centro produtores, como ocorreu no Mar do Norte, em 2015, ou se o inverno no hemisfério norte voltar a ser mais rigoroso (frio), a sobre-oferta atual poderia desaparecer, e um desequilíbrio da oferta e demanda poderia causar nova alta dos preços do petróleo.

Os baixos preços têm levado a uma situação de falência de muitas empresas de pequeno porte, e os baixos níveis de atividade exploratória estimularam uma feroz concorrência por parte das empresas prestadoras de serviços e equipamentos para a indústria de O&G;, que têm reduzido ainda mais os preços de seus serviços e insumos. Entretanto, algumas empresas indústria de O&G; estão aproveitando a situação. Com custos menores, continuam iniciando grandes projetos, e na ausência de alguns concorrentes, estão participando de licitações de áreas exploratórias em países que apresentam atratividade geológica e oferecem condições que estimulam novos investimentos. Esse é o caso, por exemplo, de países como o México, Canadá e Moçambique, entre outros, que têm conseguido atrair importantes players da indústria, e novos investimentos exploratórios.(7)

É a prova de que bons plays e condições de operação favoráveis continuam atraindo investimentos, e que para esses projetos não faltam recursos. Vale mencionar que a primeira licitação da ANP (Agência Brasileira de Petróleo e Gás, hoje Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) foi realizada em 1999, com o preço do petróleo abaixo de US$20. Muitos foram os críticos, uma vez que poucos meses antes a Venezuela havia realizado uma licitação que foi um fracasso, atribuído ao baixo preço do petróleo. No entanto, a 1ª Rodada realizada no Brasil se revestiu de sucesso.

O Brasil também poderia aproveitar que ainda existe apetite por novos projetos exploratórios, licitando áreas do Pré-Sal, desde que fosse removida a obrigatoriedade da Petrobras de participar com no mínimo 30% de todos os empreendimentos do Pré-Sal, e de ser operadora única no Pré-Sal. Essa regra não só impede a livre concorrência, como ocorreu na licitação de Libra, com um só participante, mas também impossibilita que outras tecnologias sejam adicionadas àquelas desenvolvidas e utilizadas pela Petrobras. Ainda que as tecnologias usadas pela Petrobras para operação em águas ultraprofundas sejam excelentes, as atividades de E&P; no Brasil, mesmo as da Petrobras, sempre poderiam se beneficiar de inovações trazidas por outras empresas, se não houvesse impedimento para que elas atuassem no Brasil como operadoras no Pré-Sal.

Os leilões de áreas do polígono do Pré-Sal poderiam representar uma fonte expressiva de recursos, mesmo em comparação com o retorno da CPMF, que se estima possa gerar R$32 bilhões ao ano para os cofres do país.(8) O leilão de Libra, realizado sem concorrência, em 2013, ainda assim proporcionou significativos recursos em bônus para o país (R$15 bilhões). Praticamente os mesmos R$32 bilhões da CPMF poderiam vir de apenas dois leilões por ano de áreas do Pré-Sal, das muitas disponíveis, realizados com maior concorrência do que o leilão de Libra, gerando R$10-15 bilhões cada um, mais os investimentos referentes ao PEM (programa exploratório mínimo). Corrobora esta avaliação a opinião de Júlio Bueno, Secretário de Estado do Estado de Rio de Janeiro, que estima que leilões de áreas do polígono do Pré-Sal poderiam representar uma fonte de recursos da ordem de R$45 bilhões por ano.(9)

Para preservar e realizar todo o potencial de seus recursos petrolíferos, a indústria de O&G; no Brasil não pode permanecer limitada pela capacidade da Petrobras. Considerando o potencial do pré-sal, um dos grandes plays mundiais que ainda é competitivo mesmo com os atuais preços do petróleo, o Brasil não pode aguardar, enquanto outros países tomam a dianteira, atraindo capital para projetos que estimulariam a indústria nacional e amenizariam os efeitos da crise que assola o setor.

Referências

(1) Geólogo de petróleo, Coordenador Científico do Curso Esp. Sismoestratigrafia UERJ<[email protected]>
(2) Doutor em Geociências, Pesquisador do INOG - INCT Instituto Nacional de Óleo e Gás <[email protected]>
(3) Gabriela Medeiros, “Mais falência no shale em 2016, afirma DW”, Brasil Energia Petróleo, clipping 21.12.2015
(4) WRTG ECONOMICS, 2016. North American Rotary Rig Counts. Disponível em http://www.wtrg.com/rotaryrigs.html.
(5) ANP - AGÊNCIA NACIONAL DO PETRÓLEO, GÁS NATURAL E BIOCOMBUSTÍVEIS, 2016. Poços exploratórios concluídos e Poços exploratórios em atividade. Disponível em http://www.anp.gov.br.
(6) ANP - AGÊNCIA NACIONAL DO PETRÓLEO, GÁS NATURAL E BIOCOMBUSTÍVEIS, 2015. Anuário Estatístico Brasileiro do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, 2015. Disponível em http://www.anp.gov.br.
(7) Jones, C.M. Os negócios continuam lá fora...A crise continua no Brasil...Oilpro, post de 29-01-2016. Disponível em http://oilpro.com/post/21948/os-negcios-continuam-l-foraa-crise-continua-no-brasil.
(8) Valor Econômico. Governo quer recriar CPMF com alíquota de 0,2%. Disponível em http://www.valor.com.br/brasil/4223612/governo-quer-recriar-cpmf-com-aliquota-de-02.
(9) Julio C. C. Bueno - Contato particular, em 09 fev 2016.

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