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Aluno diz que foi agredido porque não quis participar do trote

O aluno de Geofísica da Universidade de Brasília (UnB) Rogério Duarte Guimarães Filho, 30 anos, disse que levou uma cabeçada no rosto porque negou-se a participar de um trote na tarde de terça-feira. Ele contou aos jornalistas da UnB Agência que o grave incidente aconteceu durante uma aula de Princípios da Geofísica. Um grupo de alunos que preparavam o trote entrou na sala hostilizando cerca de 20 estudantes que estavam na sala de aula.

Rogério afirmou que quis retirar-se da sala quando percebeu que a aula seria interrompida. "Quando ia sair da sala fui impedido. Eles me ameaçaram, trocamos agressões verbais e um deles me deu uma cabeçada". O aluno afirmou que havia duas meninas no grupo.

Segundo seu relato, nos outros cursos dos quais participou, Ciências Sociais e Matemática, só ocorreram trotes positivos. "Não sou obrigado a participar disso. Tenho 50 kg e não vou brigar com quem é muito maior que eu", comentou. Rogério reclamou da omissão da UnB em casos semelhantes e pediu a abertura de um processo disciplinar e maior segurança dentro do campus.

Laudos

Rogério foi ao Instituto Médico Legal da 2ª Delegacia de Polícia para obter laudos da agressão. Como a instituição encontra-se em greve, ele voltou à UnB e foi ao pronto-socorro do Hospital Universitário de Brasília (HUB) acompanhado da assistente social da UnB, Irene Araújo. "Trabalho desde fevereiro na UnB e nunca tinha acompanhado uma agressão devido a um trote", afirmou Irene. Com previsão de ser atendido somente à noite, Rogério decidiu buscar o laudo num hospital particular.

David Diniz, chefe de gabinete da reitoria, disse que segundo o depoimento do estudante, o trote é circunstancial. O verdadeiro problema é a agressão. "Ele está coberto de razão. Mas ele deve formalizar a denúncia e prestar seu depoimento para que possamos investigar".

Diniz explicou que a partir da descrição dos fatos será aberto um processo administrativo disciplinar e o departamento onde Rogério estuda será comunicado. Diniz solidarizou-se com o aluno e colocou-se à disposição para ajudá-lo.

Medidas

O professor Detlef Walde, diretor do Instituto de Geociências, onde ocorreu a agressão, convocou para esta quinta-feira, às 9h, uma reunião com a participação de seu vice, do professor que ministrava a aula, da decana de Assuntos Comunitários, Carolina Cássia, e do assessor de Juventude, Rafael Morais.

"Ele agiu corretamente. Procurou a coordenação do curso e a reitoria", disse a decana. Ela esclareceu que durante a reunião serão definidas as medidas a serem adotadas. "Vamos abrir um processo disciplinar. A partir daí, será criada uma comissão para apurar os fatos", contou.

Segundo Cássia, haverá ainda uma medida educacional com reuniões envolvendo o Centro Acadêmico e os novos calouros - futuros veteranos - para desestimular o trote violento ou constrangedor.

Terra/ UnB  Agencia - 23/11/2011
 
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