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"O Pará também tem petróleo. Basta procurar"
Qual é verdadeira a vocação econômica do Pará?
O Pará, todo mundo já conhece: é a maior província mineral do Brasil. A óbvia vocação mineral precisa de uma prospecção sistemática dos recursos minerais do Estado. Além disso, tem uma vocação muito grande relacionado a florestas - que é o melhor negócio do mundo. As árvores contribuem com a regulação dos recursos hídricos: os primeiros recursos a mitigar os efeitos de gases estufa. O Pará tem áreas muito grandes que podem ser convertidas, contribuindo não só com a questão do clima, como também na recuperação dos recursos hídricos. Por que o Pará ainda não verticalizou sua produção, continuando como um exportador de commodities?
Depende muito das políticas do governo e também do empreendedorismo local. O empreendedorismo é algo que o Brasil precisa cultivar. O brasileiro é muito individualista e empreendedor por natureza, mas às vezes ele precisa de um ambiente próprio para florescer. Em alguns Estados isso já vem acontecendo, como no Espírito Santo, por exemplo. O ambiente favorece a o surgimento de novos empreendedores. Como eu conheço o Pará, tenho certeza de que isso vai acontecer aqui. Quais as oportunidades de investimento que os grandes empreendedores privados do País - e o senhor é um deles - veem atualmente no Pará?
A área mineral tem muita coisa. Mas eu acho que, hoje, o problema do setor mineral está no valor agregado, que deve ser trabalhado para ficar aqui, inclusive com os melhores empregos que estão sendo criados. A exportação de matérias-primas como matérias-primas ou como commodities na primeira transformação não são suficientes para você conseguir as vantagens que o mercado oferece. Então acho que isso também depende muito políticas públicas, políticas do governo para criar o ambiente propício. Como a mão de obra paraense deve ser preparada para ser absorvida pelos empreendimentos econômicos que chegarem ao Estado?
É preciso criar escolas profissionalizantes em todos os níveis. Mesmo hoje, por exemplo, a civilização moderna se baseia em ciência, pesquisa e tecnologia. Se você não educa durante todos os estágios dessa cadeia, você fica para trás. Hoje, nós temos que importar muita coisa, importar mão de obra qualificada que não existe no País. Até soldador mandamos buscar fora. A questão educacional é a raiz de tudo. O ponto mais importante é a educação de qualidade, orientada nesse sentido profissionalizante, concentrando na pesquisa, na ciência e na tecnologia. Como uma das maiores lideranças empresariais do País e um empreendedor muito bem relacionado, o senhor tem conhecimento da disposição de algum grande grupo econômico nacional ou estrangeiro de investir no Pará?
Você tem um que acabou de adquirir a parte de alumínio da Vale, a Norsk Hydro, que é um grupo de primeira linha, um grande grupo, que está fazendo aqui um grande investimento na área mineral. Isso abre caminho para outros ma área mineral. O alumínio foi o primeiro projeto no Brasil, que já começou no metal, não ficou só na alumina ou na bauxita. Falta agora industrializar o lingote. Podemos fazer desde panela até rodas de automóveis, ou seja, podemos fazer tudo a partir do alumínio. Como o Estado deve se preparar em termos de logística para receber grandes investimentos privados?
Isso, a Federação (das Indústrias do Estado do Pará - Fiepa) já começou a fazer, e que eu cumprimento a todos por esta iniciativa. Hoje, infraestrutura é o capital humano e a logística. O capital humano é o mais importante, é a educação. Mas a logística - que representa aquele que sabe calcular racionalmente -, representa uma noção de custos, que é tudo o que você precisa saber para levar qualquer coisa de um lugar para o outro. Então, o primeiro passo foi dado, por este estudo que foi feito aqui. A segunda parte é você complementar não só com programas ambientais, mas se preocupar com todo o entorno. Evitar que sejam criadas favelas, ou seja, tem que se ocupar do conjunto todo. Do contrário, você acaba criando miséria. O senhor confirma o interesse de seu conglomerado empresarial de construir o porto de Espadarte na área conhecida como Ponta da Romana, no litoral atlântico paraense?
Nós ainda estamos pensando nisso. Até porque tem muita gente pensando em ter um porto aqui. Já tem porto em Santarém, tem no Maranhão. Precisávamos de um porto para escoar o minério de ferro de Carajás. E até hoje ele não saiu, por que o local destinado para o porto era muito pequeno, ela queria navios pequenos com uma mina gigantesca, que escoaria para a costa leste de Belém, sendo que o grande mercado nosso era o Japão. Ou seja, o Japão teria que ter portos gigantescos, igual aquele na costa no Maranhão. Aqui o problema era de tempo e falta de estudos detalhados que não foram feitos. A possível existência de petróleo na costa paraense abre quais perspectivas para o desenvolvimento do Estado?
Não tenho a menor dúvida de que, se formos estudar petróleo no Brasil, vamos descobrir aqui também. Uma descoberta nova, que vai interessar muito ao Pará, que é a bacia do Rio Parnaíba, como um grande depósito de gás. Já está sendo perfurado lá, e se pode perceber que existe petróleo, e mais gás do que petróleo. O Liberal |


O enorme potencial mineral, além de outras riquezas naturais que favorecem a economia brasileira, fazem do Pará um alvo certo e promissor para futuros investimentos de grandes grupos do País. O empresário e ex-presidente da Vale Eliezer Batista, que esteve em Belém há poucos dias para receber a medalha de Mérito Industrial "Simão Miguel Bitar" - a maior honraria do setor industrial paraense, concedida pela Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa) -, disse ao repórter Evandro Flexa Jr. que o petróleo é uma das riquezas ainda inexploradas do Pará. Idealizador do Projeto Grande Carajás, no final de década de 1970, quando ocorreu no Pará a primeira iniciativa que deu início ao boom mineral, projetando a Região de Carajás como a maior província mineral do mundo, Eliezer Batista aposta que o empreendedorismo é o caminho para explorar as potencialidades do Estado. "Como eu conheço o Pará, tenho certeza de que isso vai acontecer aqui", afirmou. A seguir, a entrevista.












