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Intercâmbio internacionalEm sua terceira estada no país, o físico e sismólogo espanhol de origem catalã Jordi Julià (Penn State University) está intensificando seus laços profissionais com o Brasil. Além de ministrar o mini-curso “Funções Receptoras e Estrutura Litosférica”, durante a I Semana de Geofísica da UFRN, Jordi começa a se envolver com a orientação de teses de alunos brasileiros. Em entrevista à reportagem do Geofísica Brasil, Julià disse que veio buscar oportunidades para troca de conhecimentos em Sismologia e considera interessante o Projeto Borborema, de estudos geotectônicos do Nordeste.Porque escolheu o Brasil?Jordi Julià: A primeira visita foi em 2004, no Simpósio Brasileiro de Geofísica, em São Paulo, quando fiz palestra no Simpósio Brasileiro de Geofísica, à convite do Prof. Marcelo Assumpção (IAG/USP). Além de iniciar uma colaboração profissional, vim mostrar como funciona um software que desenvolvi para inversão simultânea de dados sísmicos de diferentes tipos. A segunda vinda ocorreu em 2007, por ocasião da Escola de Verão do IAG/USP, quando ministrei o curso “Funções Receptoras e Estrutura Crustal”, semelhante ao que dei agora (em março de 2009) em Natal. A terceira visita é esta que fiz ao Rio Grande do Norte a convite do Prof. Aderson do Nascimento (UFRN) para a I Semana de Geofísica da UFRN. A colaboração iniciada em 2004 prossegue até hoje. Quais os desdobramentos de suas visitas?Julià: Já publiquei um artigo em conjunto com Marcelo Assumpção. Estou muito interessado nos estudos do núcleo interno da Terra. A Província de Borborema é ideal para registrar ondas sísmicas que passam pelo núcleo. A qualidade dos dados que se obteve lá é muito boa. Como você vê a Sismologia hoje no Brasil?Julià: Tenho acompanhado indiretamente. Há grande volume de investimentos nessa área. Não tenho uma visão completa, mas pelo que entendi parece que há uma demanda importante de geofísicos no Brasil. Um dos reflexos disso é a criação do Departamento de Geofísica da UFRN em Natal, que deverá dar uma resposta a essa necessidade do país. Quais são as suas perspectivas profissionais no Brasil?Juliá: Parte dos objetivos é ajudar a formar estudantes de Geofísica. Outro objetivo é orientar estudantes em teses de doutorado. Já estou conversando com dois alunos, a pedido do prof. Aderson Nascimento (UFRN), para participar como co-orientador. Como foi a interação com os alunos do curso, em Natal?Julià: Fiquei muito contente. Foram seis alunos, sendo cinco de mestrado e um de doutorado, que trabalharam duramente. Sei que em apenas duas semanas não conseguirão entender 100% nem sairão publicando artigos. Acredito que estão com uma compreensão muito alta do assunto. Pela característica intensamente prática do curso, mantivemos a turma altamente motivada para aprender e com vontade de fazer as coisas. Existem planos para aumentar a frequência deste curso?Julià: Talvez em alguns anos, com novos estudantes de possa repetir. Mas com a criação do novo Departamento de Geofísica da UFRN será muito mais fácil de organizar atividades, de convidar pesquisadores para intensificar a interação. Isso nos Estados Unidos é muito comum. No meu departamento, por exemplo, temos dois seminários por semana. Para colocar a UFRN no mapa da sismologia mundial é importante que outras pessoas interajam com o grupo de geofísica de Natal. Como se dá essa aproximação?Aderson: Dependendo do tipo de trabalho, pode ser por e-mail. Quando é um mestrado, exige-se menos do que um doutorado. É suficiente que o professor venha aqui uma vez para explicar como funcionam os programas e depois, por correspondência, começa a discutir os resultados. É importante haver pelo menos um contato inicial para as pessoas se conhecerem. Já no doutorado, é possível se enviar o aluno para passar um tempo no exterior. E há diversas possibilidades que podem ser discutidas. Jordi: É uma questão de eficiência. Pode-se aprender muitas coisas por e-mail, por internet, por conta própria, mas é necessário ter alguém a quem se possa perguntar de forma mais direta. Internet é alta tecnologia, mas ter alguém do lado é muito mais eficaz. É importante que as pessoas estudem primeiro os artigos dos professores e saibam que podem se aproximar deles. Jordi Julià é graduado em Física pela Universidade de Barcelona (1993) onde também realizou seu doutorado (1999) em Sismologia. Fez dois pós-doutorados nos EUA, um na Saint Louis University e outro na Penn State University (Pennsylvania). Foi pesquisador visitante na Duke University por um ano e meio e por dois anos e meio, na University of South Carolina. Atulmente é pesquisador contratado pela Penn State University, na Pennsylvania (EUA), desenvolve estudos sobre Sismologia. |















