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Transmissão interna de conhecimento
Para saber como é feito esse treinamento, estivemos na Fugro Geosolutions, no Rio de Janeiro, onde entrevistei o geólogo Paulo Crampes, há mais de 25 anos atuando como geofísico. Ele é responsável pelo desenvolvimento de Cleyton Ribeiro, graduado há menos de um ano em Geofísica pela UFF - Universidade Federal Fluminense. Segundo Paulo, para produzir bons resultados o mais importante é formar uma equipe de trabalho que esteja envolvida em todas as etapas do projeto. Essa é a forma mais efetiva de se passar conhecimento, experiência e informações, no dia a dia sem grandes formalidades. “Faz parte do treinamento do profissional júnior ficar exposto a todo tipo de problemas que possam surgir em um projeto. Sentamos lado a lado, analisamos os dados, testamos vários parâmetros e buscamos as soluções em conjunto”, descreve. Algumas vezes a parte teórica precisa ser abordada, pois ninguém sai totalmente preparado da faculdade, que forma o aluno com os conhecimentos gerais de geofísica. “Trabalhar com processamento sísmico em uma empresa, por exemplo, é muito diferente do que é feito em uma faculdade”, confirma Cleyton, que começou cedo a adquirir experiência e conseguiu cumprir três anos de estágio em empresas e institutos de pesquisa. A experiência prévia foi importante para entrar na Fugro antes de concluir o curso de graduação. Segundo Cleyton, durante o período de faculdade, é importante fazer estágios para criar uma cultura de trabalho. “O estudante fica exposto a uma gama maior de informações e não chega totalmente sem base no seu primeiro emprego,” complementou Paulo. Recursos online
A Fugro disponibiliza pelo menos duas fontes de informação na internet para apoiar o desenvolvimento de sua força de trabalho. O programa Fugro Academy é uma instituição corporativa, que promove o ensino à distância e oferece vários cursos online e em salas de aula. Além disso, há também um fórum de discussões sobre o Uniseis, software proprietário de processamento sísmico, do qual participam profissionais de outras unidades da Fugro em vários países. Este fórum, aliás, era um recurso pouco utilizado no Brasil, mas por iniciativa de Cleyton foi reativado e já recebe informações importantes. Segundo Paulo, o profissional sênior tem que deixar o mais jovem participar em todas as partes do projeto. “Eu falo para ele, sempre que tiver dúvida questionar, porque pode ser um detalhe que passou despercebido e que pode estar incoerente. Já que manipulamos uma quantidade grande de dados e informações, por isso é muito importante ter esse retorno por parte da equipe”, acrescentou. Os dois colegas trabalham juntos desde março do ano passado. Em quanto tempo o profissional júnior poderá caminhar sozinho? Paulo acredita que em alguns anos Cleyton poderá assumir um projeto. Mas se antes disso, a empresa contratar alguém mais novo, ele já pode começar a treiná-lo. Como forma de estimular o aprendizado, ambos revisam cada passo de um projeto anterior. Enquanto o júnior aprende a manipular o software, o sênior pode verificar detalhes que ajudem a aprimorar futuros projetos. E enquanto revêem procedimentos, conseguem juntar teoria e prática. Ambos ganham com essa relação. Não há prejuízo das atividades regulares. O júnior, aprendendo, dará uma colaboração imensa ao sênior no futuro. Quanto mais ele aprender, mais seu mentor será beneficiado. Prática comum nas grandes empresas, pessoas são enviadas à matriz para receber treinamento. Após ter completado um ano na Fugro, Cleyton teve essa experiência em março e passou cerca de um mês em Houston, participando em um projeto no qual foi importante para a sua evolução como profissional. “Antes, como estagiário, eu tinha o direito de errar e a obrigação de aprender. Agora, como trainee, já não posso cometer certos erros. Aqui já passei por vários cursos e treinamentos e meu grau de responsabilidade aumentou”, salientou. Na descrição de cargo do geofísico sênior na Fugro se lê: “O funcionário mais experiente é obrigado a orientar e zelar pelo desenvolvimento profissional do menos experiente, quanto às necessidades de desenvolvimento e aspectos comportamentais, motivacionais, etc, visando proporcionar condições de aperfeiçoamento e crescimento profissional”. “É uma obrigação contratual também”, resumiu Paulo. Fernando Zaider (GEOFÍSICA BRASIL) |


Em tempos de crescente atividade exploratória, diminui a disponibilidade de geofísicos no mercado. Para suprir a demanda por mão-de-obra qualificada, algumas empresas adotam a prática de recrutar profissionais recém-formados e treiná-los. Geofísicos experientes são designados para acompanhar os recém-chegados ao mercado de trabalho.













