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Endividada Brain para levantamento no Parecis

Alegando dificuldades financeiras, a Brain Tecnologia suspendeu os trabalhos de levantamento de dados sísmicos 2D que realizava na Bacia do Parecis (Mato Grosso) para a Agência Nacional do Petróleo.

O serviço foi contratado pela ANP por R$ 59 milhões e integra o Plano Plurianual para Aquisição de Dados 2007-2012.

A Bacia do Parecis é cortada pelo rio Teles Pires, em Mato Grosso. Estudos da ANP indicam a possibilidade de existência de um sistema petrolífero ativo na área. As cidades com maior foco da atividade de exploração são Lucas do Rio Verde, Nova Mutum, Nova Ubiratã, Paranatinga, Rosário Oeste, Sorriso e Santa Rita do Trivelato.

A equipe sísmica de aproximadamente 400 pessoas já tinha percorrido duas linhas e metade da terceira quando foi desmobilizada pela direção da empresa. Os técnicos chegaram a cobrir cerca de 270 quilômetros lineares, menos de 23 % do total contratado, que é de 1.200 quilômetros. As duas linhas foram processadas pela Stratageo e entregues à ANP.

Não havia clima para permanecer na região, uma vez que os administradores da equipe sísmica não podiam honrar os compromissos com trabalhadores e fornecedores de bens e serviços. Segundo um empregado da Brain, a empresa não paga salários desde setembro de 2009, incluindo o décimo-terceiro do ano passado. Vários trabalhadores entraram na Justiça para tentar receber os atrasados.

Cerca de 30 comerciantes dos ramos de alimentação, transporte e hospedagem do município de Lucas do Rio Verde, a 350 km de Cuiabá, onde a Brain fixou uma base de operações, se reuniram para tomar providências. Eles informaram à imprensa local que o valor do prejuízo deles deixado pela Brain até o dia 8 de março girava em torno de R$ 500 mil. Ver a reportagem neste link.

O diretor de Logística da Brain Tecnologia, Breno Castilho, confirmou que o levantamento sísmico na Bacia do Parecis foi interrompido devido a dificuldades financeiras da empresa. Segundo Castilho, a Brain renegociará os contratos com fornecedores e retomará as atividades ainda no mês de maio. O diretor informou também que a equipe sísmica não foi desmobilizada.

“A Brain vai passar por uma reestruturação e pretende concluir os levantamentos dentro do prazo”, afirmou Castilho, explicando ainda que a empresa foi atingida pela crise financeira global de 2009 e que, além disso, quando comprou o segundo sismógrafo ficou sem capital de giro.

Protocolo de intenções

Empresa parceira da Brain no consórcio do projeto de Parecis, a Stratageo pretende assumir a operação. O presidente da empresa, Sergio Possato, propôs à Brain uma alteração no contrato, onde a Stratageo assumiria uma posição majoritária dentro do consórcio. As duas empresas assinaram um protocolo de intenções que foi encaminhado à ANP para avaliação.

“Na minha opinião, o vencedor da licitação foi este consórcio e se fizermos as alterações internas poderemos dar continuidade ao trabalho”, salientou Possato, acrescentando que já obteve aprovação de crédito no Banco do Brasil para este fim. Se a ANP concordar a Stratageo coletará os mais de 900 km de sísmica 2D, que ainda faltam para cumprir o contrato.

Questionada se aprovaria estas alterações no consórcio entre a Stratageo e a Brain, a ANP não respondeu (até o encerramento desta edição em 30 de abril de 2010). O assunto foi encaminhado à diretora Magda Chambriard e ao superintendente de Definição de Blocos, Antenor Muricy

O novo acordo do Consórcio Parecis, envolvendo a Brain e a Stratageo, além de criar as condições para conclusão do serviço, estabelecerá regras para o pagamento de passivos trabalhistas e com fornecedores locais. A direção da Brain ficou de encaminhar à Stratageo as informações detalhadas sobre o passivo financeiro atual, atualmente estimado em mais de R$ 7 milhões.

Passivo ambiental

Outra missão da Stratageo será verificar as condições do passivo ambiental deixado pela Brain. A área do levantamento é intensamente ocupada por atividades ligadas ao agronegócio e há tráfego de tratores e animais. Os pontos de tiro que já foram detonados serão novamente inspecionados e tamponados. Segundo a imprensa local, foi registrada uma denúncia por um produtor rural que teve parte de uma colheitadeira danificado ao afundar num buraco. Ver a reportagem neste link.

Alguns explosivos ficaram enterrados a cerca de 3 m de profundidade nos pontos de tiro que estavam prontos para ser detonados. A intenção da Stratageo é recomeçar o trabalho justamente por estes locais. A renovação da licença ambiental que vence em 16 de junho deverá ser solicitada ao órgão ambiental do Mato Grosso pela nova operadora do levantamento.

 
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