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Vazamento de óleo no Golfo do México é maior do que o estimado

Dados divulgados ontem (28/04) pela Guarda Costeira dos Estados Unidos mostram que a quantidade de petróleo que vaza da plataforma de petróleo Deepwater Horizon no Golfo do México que afundou na semana passada é cinco vezes maior do que se pensava.

Segundo reportagem do Estadão, o vazamento pode ser o segundo maior acidente ambiental da história americana.

A contra-almirante Mary Landry, da Guarda Costeira, disse que o equivalente a 5 mil barris de petróleo estão vazando no mar a 80 km da costa do estado americano da Louisiana. Segundo Landry, técnicos da agência americana para Oceanos e Atmosfera (Noaa, na sigla em inglês) revisaram para cima a estimativa do volume do vazamento com base em fotos aéreas, estudo da trajetória da mancha e condições climáticas locais, entre outros fatores.

Fumaça da sonda Deepwater Horizon vista do satélite GOES-13 na imagem tirada em 21 de abril, quase 30 horas após a explosão que deu início ao incêndio que atingiu a plataforma situada a 80 km da costa da Louisiana.

"Não se trata de uma ciência exata quando estimamos a quantidade de petróleo. Mas a Noaa está me dizendo agora que preferem usar (o dado de) pelo menos 5 mil barris por dia", disse Landry em Nova Orleans.

Mais cedo, uma equipe da Guarda Costeira ateou fogo a parte da mancha de petróleo, em uma tentativa de salvar o frágil ecossistema de manguezais da Louisiana. O Estado abriga cerca de 40% dos pântanos e mangues americanos e é o habitat de inúmeras espécies de peixes e aves.

A queima controlada da mancha foi feita em uma área cerca de 50 km a leste do delta do rio Mississippi, de acordo com as autoridades. Mas a mancha pode atingir a costa na sexta-feira à noite por causa de uma mudança na direção dos ventos, de acordo com meteorologistas.

Landry advertiu na terça-feira (27/4) que o trabalho para tapar o poço de onde o petróleo está vazando pode levar meses. A operação está sendo feita por submarinos robôs.

Dados técnicos

A plataforma Deepwater Horizon, que pegou fogo no Golfo do México, na terça-feira (20/04), e afundou dois dias depois, pertencia à Transocean, o maior empreiteiro global de perfuração offshore.

Onze trabalhadores estão desaparecidos - supostamente mortos - depois do desastre, que está sendo considerado o mais grave do tipo em quase uma década.

A plataforma tinha sido contratada pela BP até 2013 e estava trabalhando no poço exploratório de Macondo quando pegou fogo. O aluguel da sonda por dia de contrato gira em torno US$ 500 mil . O processo todo de perfuração, incluindo helicópteros, barcos de apoio e outros serviços, aumentam essa cifra para algo em torno de US$ 1 milhão por dia para uma operação de perfuração em busca de óleo e gás.

A construção da sonda em 2001 custou aproximadamente US$ 350 milhões valor que deverá dobrar para substituí-la aos preços atuais. Esta sonda flutuante representa o que há de mais avançado em tecnologia de perfuração. Ela tem capacidade para atingir até 3 mil metros de profundidade de água. Detalhe: a plataforma flutuante não é ancorada. O uso de âncoras seria muito oneroso, além disso, seria pesado demais suspender as amarras do casco. A opção recaiu sobre um sistema computadorizado de redundância tripla que utiliza posicionamento de satélites para controlar poderosos thrusters (propulsores laterais) que mantém a unidade o tempo todo em torno de poucos metros da locação escolhida . É isso que se chama de Posicionamento Dinâmico.

Aparentemente, a sonda havia acabado de cimentar o revestimento de aço a profundidade de 5,5 mil metros. A operação seguinte seria a suspensão do poço de modo que a sonda poderia se movimentar até a próxima locação a ser perfurada. A idéia era que a sonda voltasse a este poço mais tarde para complementar o trabalho necessário para colocá-lo em produção.

Suspeita-se que de algum modo a formação de fluidos (óleo e gás) penetrou no poço e não foi detectada até que tenha sido tarde demais para agir. Em uma plataforma de perfuração flutuante, devido aos movimentos provocados pelas ondas, correntes e ventos, todo o equipamento de controle de pressão fica na superfície, que é o ponto que menos se movimenta. Esses equipamentos de controle de pressão – chamados de Blowout Preventer ou BOP – são controlados com sistemas de redundância a partir da plataforma.

Durante uma emergência, há múltiplos botões antipânico para serem apertados e até sistemas de falha de segurança Deadman que seriam automaticamente conectados quando se irrompem incidentes de grandes proporções. Nenhum deles aparentemente foi ativado, sugerindo que a erupção foi especialmente rápida. As chamas foram avistadas a mais de 50 km de distância. Não o brilho, mas as chamas atingiram entre 60 e 90 metros de altura.

Toda essa sequencia será investigada e em alguns meses todos os detalhes serão conhecidos. Por agora, basta dizer que esta maravilha da moderna tecnologia, que operava com um excelente registro de segurança, se queimou toda e afundou levando algumas vidas com ela. Onze pessoas ainda estão desaparecidas, supostamente mortas.

O poço ainda está jorrando óleo, que está aparecendo na superfície como uma fina camada. A mancha  cobre uma área de cerca de 74,1 mil km2.  Robôs submarinos do tipo veículos operados remotamente (ROV) atuam no fundo do mar para tentar controlar a situação. Eles precisam fechar o poço utilizando uma porta especializada do BOP e um sistema de bombeamento. Ainda não tiveram sucesso.

Barcos de apoio especializados em controle de vazamento de óleo foram convocados às pressas para atuar no vazamento, recolhendo o óleo. Nas próximas semanas nova sonda deverá ser alocada  a fim de perfurar outro poço, para cruzar o que está vazando até a rocha reservatório.

Será utilizada tecnologia capaz de perfurar um poço a partir de uma sonda flutuante, com mais de 5 mil km de profundidade para um ponto exato e específico da Terra com um raio de alvo de mais ou menos alguns metros. Assim que atingirem o alvo, um fluido pesado será bombeado até exceder a pressão da formação, possivelmente, cessando a causa do fluxo e trazendo o poço finalmente às condições seguras. Deverá levar cerca de dois meses para que isso seja feito, trazendo toda a tecnologia disponível para ajudar.

As fotos acima, de autor não identificado, estão circulando pela internet e cobrem as 36 horas seguintes ao início do incêndio.

 

 
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