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ANP quer mais medidas da Chevron, diz diretora

A Chevron ainda está tendo problemas no programa de "abandono" do poço que vazou no campo de Frade. Magda Chambriard, diretora da Agência Nacional de Petróleo (ANP), disse ao Valor que a agência ainda não está satisfeita com o perfil de cimentação da primeira fase do processo de selagem do poço, que em linguagem leiga significa a colocação de uma espécie de rolha com 350 metros de cimento na abertura do reservatório, a 1.211 metros de profundidade.

Por causa dessa exigência, a Chevron ainda não concluiu a segunda etapa do processo de abandono, que é a de cortar a coluna para colocar uma segunda massa de cimento. A diretora explicou ontem as razões que fundamentaram a decisão da ANP de suspender a licença de perfuração da Chevron no país por tempo indeterminado, o que inclui o pedido da empresa de atingir o reservatório Paru, no pré-sal daquela concessão.

Segundo Magda, a Chevron não podia submeter à ANP um plano de abandono do poço -analisado em caráter de emergência no dia 13 de novembro e que depois não pôde ser cumprido -, porque a empresa não tinha equipamentos que julgava necessários.

"A empresa submeteu um plano que ela própria não conseguiu cumprir", disse Magda, explicando que essa foi a razão da primeira autuação, que pode ser resultar em multa de R$ 50 milhões. A segunda autuação, que também pode ser de R$ 50 milhões, foi aplicada por adulteração de dados sobre o monitoramento do fundo do mar.

No último caso, a Chevron enviou fitas de apenas 5 dos 28 pontos de monitoramento, sendo que cada uma tinha dez segundos de duração, apesar do material bruto se referir a um período de 24 horas. A ANP exige das empresas que operam no mar o monitoramento permanente por meio de robôs submarinos, sendo que um deve permitir que se veja embaixo da plataforma e os demais precisam mostrar cada poço produtor ou injetor.

Magda achou estranho que a empresa tenha editado essas imagens durante um momento de crise, quando o material poderia ter sido enviado em estado bruto, já que cabem em dois DVDs. "A preocupação não era sanar a crise? Por que se deram ao trabalho de editar as imagens, quando podiam entregar uma cópia bruta para a agência?"

A empresa americana agora tem amplo direito de defesa, e só pagará as multas no final do processo, caso sua argumentação não seja aceita. A Chevron estava perfurando o décimo-segundo e último poço produtor da segunda fase do plano de desenvolvimento da produção de óleo e gás em Frade, quando ocorreu o acidente.

Valor Econômico - 25/11/2011
 
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