top
logo

Enquete

Qual data você escolheria​ para ser proclamada​ como o Dia Nacional do Geofísico?
 

Feed RSS

Banner
TOP 100 ENERGY SITES

Início Notícias Notícias ANP anuncia suspensão das atividades de perfuração da Chevron no País
Banner
Notícias

ANP anuncia suspensão das atividades de perfuração da Chevron no País

Todas as atividades de perfuração da empresa Chevron no Brasil foram suspensas ontem por tempo indeterminado pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). Com a determinação, a companhia norte-americana está proibida de perfurar poços em direção ao pré-sal. A intenção de acessar a camada ultraprofunda foi manifestada pela Chevron em pedido oficial recentemente encaminhado à ANP. De acordo com a agência, não cabe recurso administrativo à decisão.

A empresa - que havia sido acusada de negligência e de mentir sobre o vazamento de óleo desde o dia 7 no Campo de Frade, na Bacia de Campos - requeria autorização da agência para perfurar um novo poço no Campo de Frade, desta vez para atingir o pré-sal. Oficialmente, o poço perfurava a camada pós-sal. A ANP investiga se a empresa tentava chegar ao pré-sal, mesmo sem autorização.

À noite, o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, confirmou que "não faltará rigor" na apuração envolvendo o episódio do vazamento de óleo. Segundo Carvalho, a presidente Dilma Rousseff já tomou providências e as áreas responsáveis "estão indo para cima da empresa". Questionado se a Chevron poderia ser impedida de trabalhar, o ministro respondeu: "Não sei, não sou técnico e ainda é cedo. O que eu sei é que toda a seriedade está colocada neste assunto. Não vamos brincar com essa questão. Está em jogo todo o nosso futuro em termos de pré-sal".

As punições à companhia foram tomadas pela direção da ANP, que se reuniu ontem. Segundo comunicado divulgado pela agência após a reunião, "a suspensão das atividades de perfuração no Campo de Frade" vigorará "até que sejam identificadas as causas e os responsáveis pelo vazamento de petróleo e restabelecidas as condições de segurança na área".

"Essa deliberação suspende toda atividade de perfuração da Chevron do Brasil no território nacional", acrescenta a nota.

Como justificativa da rejeição ao pedido da Chevron para investir no pré-sal, a diretoria da ANP informou ter concluído que "a perfuração de reservatórios no pré-sal implicaria riscos de natureza idêntica aos ocorridos no poço que originou o vazamento, maiores e agravados pela maior profundidade". Segundo o comunicado, a suspensão "não alcança as atividades necessárias ao abandono definitivo do poço 9-FR-50DP-RJS e a restauração das condições de segurança".

Causa. A empresa dos EUA manifestou-se sobre a proibição de suas atividades no Brasil com uma frase: "A Chevron vai seguir todas as normas do governo brasileiro e de suas agências".

A causa oficial do vazamento é um procedimento equivocado da companhia na injeção de lama no poço. A pressão do material teria rompido a parede do espaço perfurado. Pela brecha aberta, o óleo vazou e atingiu o oceano, alcançando a superfície, por ser mais leve que a água.

Na ANP, há a suspeita de que o reservatório natural de petróleo pode ter sido atingido, o que torna o acidente mais grave, conforme revelou o Estado ontem. Um rompimento de parede do reservatório complica os procedimentos de contenção do vazamento.

Executivos da petroleira prestam depoimento à PF

Pouco antes do anúncio da suspensão das atividades de perfuração da Chevron Brasil em todo o território nacional, dois executivos da empresa prestaram depoimento no inquérito da Polícia Federal que apura o vazamento de óleo na Bacia de Campos.

Eles foram ouvidos pelo delegado Fabio Scliar, chefe da Delegacia de Meio Ambiente e Patrimônio Histórico, que também pretendia ouvir um funcionário da Transocean, contratada pela Chevron para perfurar o poço. Ele está trabalhando embarcado e o depoimento foi remarcado para terça-feira. Scliar investiga falhas na perfuração e a informação de que as empresas teriam trabalhadores em situação irregular, o que a Chevron nega.

O presidente da Petrobrás, José Sergio Gabrielli, evitou fazer comentários sobre o investimento em segurança da estatal - sócia da Chevron no poço. "O problema principal é evitar que o acidente ocorra." Gabrielli negou-se a opinar sobre os procedimentos da Chevron. Afirmou, porém, que haverá um "acerto de contas" com a empresa americana, ao ser perguntado sobre o fato de a Petrobrás ter de dividir com a Chevron as multas pelo vazamento. A Petrobrás tem 30% de participação no Campo de Frade. / CLARISSA THOMÉ e S.T.

O Estado de S. Paulo - 24/11/2011

ANP acusa Chevron de negligência e cassa licença para operar no país

Depois de perfurar 14 poços em águas profundas e 15 dias depois do acidente no campo de Frade, a americana Chevron teve cassada sua autorização para perfurar no Brasil sob alegação de negligência. Quarta maior produtora de petróleo do mundo entre as companhias privadas (atrás apenas da ExxonMobil, BP e Shell), a Chevron opera no Brasil desde 1915 como Texaco, empresa com a qual se fundiu no ano 2000. Desde 9 de novembro, quando surgiram os primeiros sinais do vazamento de óleo em Frade, as ações da petroleira caíram 13,20% em Nova York.

O presidente da Chevron no Brasil, George Buck, foi informado da cassação durante audiência pública na Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, da Câmara dos Deputados. Na reunião de sua diretoria colegiada, ontem, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) proibiu a empresa de perfurar qualquer poço no campo de Frade "até que sejam identificadas as causas e os responsáveis pelo vazamento de petróleo e restabelecidas as condições de segurança na área".

A agência reguladora também rejeitou pedido da americana para perfurar novo poço em uma zona mais profunda daquela área com o objetivo de atingir o pré-sal. Ao justificar a medida a ANP afirmou que "a perfuração de reservatórios no pré-sal implicaria riscos de natureza idêntica aos ocorridos no poço que originou o vazamento, maiores e agravados pela maior profundidade".

Segundo a agência, a decisão foi baseada em análises e observações técnicas "que evidenciam negligência por parte da concessionária na apuração de dado fundamental para a perfuração de poços e na elaboração e execução de cronograma de abandono, além de falta de maior atenção às melhores práticas da indústria".

À noite, a Chevron afirmou em nota que vai suspender todas as suas operações de perfuração e informou que a medida não terá impacto sobre a produção no campo Frade ou em outras operações nesse campo.

Curiosamente, a Chevron foi uma das maiores defensoras da indústria petroleira americana quando o presidente Barack Obama declarou uma moratória de seis meses na perfuração em águas profundas no Golfo do México depois do acidente da BP. Na ocasião, o CEO da Chevron Corp, John Watson, disse ao "Wall Street Journal" que "nem todas as petroleiras devem ser consideradas outra BP". Agora enfrenta situação similar no Brasil.

Ontem, diante a audiência na audiência pública, George Buck se comprometeu a apresentar o resultado detalhado da investigação conduzida pela companhia sobre o vazamento de petróleo no campo de Frade assim que o trabalho for concluído. "Nós vamos investigar esse incidente detalhadamente e vamos apresentar os resultados ao povo brasileiro para que não se repita aqui e nenhum lugar do mundo", afirmou.

O executivo voltou a assumir total responsabilidade pelo acidente, posição que pode custar caro do ponto de vista legal se os sócios usarem esse argumento para não dividir os custos. "Estamos conscientes da gravidade e assumimos a responsabilidade", afirmou.

Quando a Chevron perfurava o décimo quinto poço na concessão de Frade aconteceu o acidente que provocou o vazamento. Frade entrou em produção em 2009 e em setembro foram extraídos diariamente uma média de 80.425 barris de óleo equivalente, sendo 74,768 mil barris de óleo e 899,35 mil metros cúbicos de gás.

A partir de 2008 a companhia começou a se desfazer de ativos no país, começando pela venda do negócio de distribuição de combustíveis para o grupo Ultra. A empresa teve participação no bloco BM-S-10, onde a Petrobras descobriu o reservatório Parati, no pré-sal da bacia de Santos, mas vendeu sua parte para os sócios no início da década. Em setembro deste ano vendeu para a Barra Energia os 20% que detinha nos campos Atlanta e Oliva, operados pela Shell. Atualmente a Chevron emprega 420 funcionários no país. Além de operar o campo de Frade tem participação de 37,5% no campo de Papa-Terra e de 30% em Maromba, ambos operados pela Petrobras na bacia de Campos.

Valor Econômico - 24/11/2011
 
Banner

bottom
top

Últimas notícias

As mais lidas


bottom