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Geofísica e barragens
Em episódio recente ocorrido (em 28 de maio de 2009) no município de Cocal (PI), pelo menos quatro pessoas morreram e centenas de famílias ficaram desabrigadas após o rompimento da Barragem de Algodões I. Mobilizado por este triste evento, Geofísica Brasil pesquisou e descobriu que não há legislação brasileira específica sobre aspectos relacionados com segurança de barragens. Apenas grandes barragens podem provocar abalos sísmicos, fato que ocorre raramente. Para o sismólogo e pesquisador do IAG/USP, Marcelo Assumpção, tremores de terra só são considerados importantes em barragens grandes, ou seja, com mais de 50 metros de altura. Não é esse o caso da barragem que rompeu no Piauí, onde o problema foi de erosão das encostas causado, segundo ele, por excesso de chuva. Neste caso, para Assumpção, o que pode ter faltado seriam estudos de Geotecnia, isto é, a caracterização das propriedades mecânicas do solo e das rochas na área da barragem. O especialista da Agência Nacional de Águas, engenheiro Rogério Menescal, acrescenta que a ruptura da barragem de Algodões I foi provocada por uma erosão regressiva no vertedouro, que atingiu o maciço principal. “Portanto, neste caso, as observações sismográficas não poderiam contribuir para evitar a tragédia”, referendou o engenheiro. Não há, segundo os especialistas ouvidos pelo Geofísica Brasil, uma norma estabelecida para segurança de barragens no país. Normalmente, o IBAMA costuma exigir a instalação de uma estação sismográfica perto da barragem. Mas, segundo Assumpção, isso não aumenta a segurança - apenas facilita estudos e pesquisas no caso (raro) de ocorrerem tremores. Por sua vez, o diretor do Observatório Sismológico da Universidade de Brasília, George Sand França, acredita que as normas envolvendo a construção de barragens devem sair do papel ainda este ano. Segundo ele, antes da construção de barragens devem ser efetuados estudos geoestruturais. “O estudo geotectônico é bem direcionado para estruturas civis, mas os estudos de geofísica rasa e microssismicidade podem auxiliar aos engenheiros geotectônicos nessa matéria”, avaliou o sismólogo, que está trabalhando atualmente com esse tema, a fim de identificar possíveis regiões que podem sofrer problemas futuros ou que vem sofrendo danos estruturais devido à sismicidade. George informou ainda que foi criado um grupo de pesquisa para estudar a sismicidade induzida e natural do qual fazem parte engenheiros, geólogos, geofísicos e sismólogos. |


País rico em recursos hídricos, o Brasil tem 77% de sua matriz elétrica proveniente de fontes hídricas. O know-how para a construção de barragens é uma vantagem comparativa da engenharia brasileira que há décadas vem se aperfeiçoando nessa atividade. A Geofísica, mais precisamente o ramo da Sismologia, tem alguma participação nessa área. 





