Com 50 anos de Brasil, CGGVeritas volta-se para o futuro.
Comemoração promovida no Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro, em agosto, marca meio século da presença desta empresa de alta tecnologia em aquisição geofísica no Brasil.
O evento coincidiu com o encerramento do 12º Congresso Brasileiro de Geofísica e reuniu representantes de companhias de petróleo, da área governamental e do consulado francês no Rio de Janeiro.
Por parte da CGGVeritas, a solenidade contou com a presença de altos executivos, como Robert Brunck, presidente do Conselho de Administração e ex-CEO que, como tal, nos últimos 12 anos, construiu e consolidou a empresa como ela é hoje; e Lionel Lhommet, vice-presidente executivo de Geomercados e Marketing Global.

CELEBRAÇÃO: A partir da esquerda, Lionel Lhommet, Robert Brunck, Patrick Postal e o ex-jogador Raí, que dirige a Fundação Gol de Letra, erguem um brinde pelos 50 anos da CGGVeritas no Brasil.
Para o diretor geral da CGGVeritas no Brasil, Patrick Postal, a comemoração não apenas homenageou centenas de pessoas que atuaram na companhia nos últimos 50 anos no Brasil, mas também os atuais colaboradores.
Alguns dias após o evento, Patrick Postal concedeu ao Portal Geofísica Brasil uma entrevista exclusiva, quando falou das oportunidades do mercado local e da contribuição da empresa ao desenvolvimento da geofísica no país.
"O Brasil quer se tornar um produtor de tecnologia e não ser mais apenas um receptor de tecnologias desenvolvidas lá fora. Queremos participar desse esforço", salientou o executivo.
A seguir, alguns trechos da entrevista.
O que representa para a empresa ter um Centro de Tecnologia no Brasil?
A intenção da CGGVeritas é condizente com a postura do Brasil de se colocar à frente na luta para se definir a tecnologia do futuro, especialmente no setor de geofísica offshore. Ao criar o Centro de Tecnologia no Rio de Janeiro em abril de 2010, nos posicionamos para contribuir ativamente com este grande esforço nacional. O Brasil quer se tornar um produtor de tecnologia e não ser apenas mais um receptor de tecnologias desenvolvidas lá fora. Queremos colaborar com esse esforço através da contratação de novos talentos no Brasil, da realização de acordos de cooperação tecnológica com empresas operadoras atuantes no Brasil e de convênios com importantes universidades brasileiras, como já vem sendo feito. Estamos abertos para novas cooperações.
Qual o perfil da empresa no Brasil de hoje?
No Brasil, a CGGVeritas se concentra em três linhas de negócios. A primeira é a biblioteca de dados multiclientes que já passa de 100 mil km2 e que continua se expandindo em áreas promissoras. Por exemplo, nosso navio Symphony está atualmente fazendo levantamentos sísmicos na Bacia de Santos, em uma área do pré-sal acima do campo de Libra. A segunda é o Centro de Processamento de Dados Sísmicos (CPDS) que temos no Rio de Janeiro, que é um modelo de excelência. Esse CPDS fica situado ao lado do nosso Centro de Tecnologia, o que possibilita uma grande interação entre os dois. A terceira linha de negócios é a de equipamentos sísmicos com a Sercel, nossa subsidiária que tem uma importante participação no Brasil em áreas terrestres, fornecendo também equipamentos sísmicos marítimos para alguns dos nossos concorrentes. Globalmente, nós também operamos em aquisições marinhas e terrestres exclusivas.
O último levantamento sísmico terrestre feito pela CGG no Brasil foi para a El Paso em 2002, na Bacia do Paraná. É possível considerar o retorno da companhia à aquisição terrestre?
Não está fora dos nossos planos, mas é um mercado mais difícil que o marítimo, devido ao nível tecnológico normalmente usado no mercado, que considero básico. Há pouco conhecimento geológico nas bacias brasileiras e as empresas não aceitam pagar por uma aquisição mais sofisticada na fase de exploração inicial. No Kuwait e no Qatar, por exemplo, a CGGVeritas está realizando projetos mais sofisticados, com 200 mil canais (100 mil canais ativos). Essa técnica produz uma enorme densidade de dados e uma altíssima resolução de imagem. Poucas empresas têm capacidade para fazer esse tipo de serviço. E competir num mercado de commodity, de base, como ainda é o caso da aquisição terrestre no Brasil, fica difícil para uma empresa de alta tecnologia como a CGGVeritas, que atende a normas sofisticadas de segurança e proteção ao meio ambiente. Paramos com a atividade terrestre há quase 10 anos, mas quando as operadoras necessitarem de estudos mais elaborados dos seus ativos terrestres, abrindo o mercado para técnicas mais sofisticadas, teremos grande interesse em retornar. No entanto, estamos atentos a qualquer oportunidade que possa surgir no mercado. A CGGVeritas tem experiência única com técnicas muito avançadas de vibroseis. Consideramos que esta técnica é subutilizada no Brasil.
Acreditamos que mesmo que as condições do campo não sejam as melhores, os custos com exploração poderiam diminuir significativamente.
Quais são as oportunidades de negócios que a empresa enxerga hoje no Brasil?
Basicamente, dividimos essas oportunidades em três áreas: Exploração, Desenvolvimento de Novos Campos e Produção de Campos Maduros (aumento do fator de recuperação).
Exploração é clássico. A dificuldade é que a política de exploração do país ainda não está inteiramente implementada. Há uma vontade de se voltar a ter uma política de exploração ambiciosa, mas não há um planejamento adequado. Não podemos dizer claramente o que faremos em 2012, 2013, 2014 em termos de exploração, tanto no mar como em terra. Em resumo, estamos esperando a realização das 11ª e 12ª rodadas de licitações da ANP. Seria interessante ter uma visão dos contratos, tanto na modalidade convencional quanto no de partilha de produção. Acredito que a nova política de exploração deslanchará. Estamos aguardando a decisão nesse sentido. Desde já, estamos apostando pesado na abertura da política de exploração na área do pré-sal, dando início a uma grande aquisição multiclientes na Bacia de Santos, numa área dedicada ao regime de partilha de produção.
Desenvolvimento: Vemos grandes oportunidades nas concessões do pré-sal, na parte do pré-sal da Cessão Onerosa e em campos já conhecidos, onde se reexplora em busca de novos reservatórios, como é o caso da Bacia de Campos, onde agora existe um grande esforço para melhor entender os reservatórios do pré-sal ali encontrados. Esse cenário pode gerar excelentes oportunidades para empresas de sísmica.
Produção: As empresas operadoras necessitam aumentar o fator de recuperação de campos maduros e a sísmica pode dar uma importante contribuição. Temos tecnologias únicas que podem ajudar muito nesse sentido, incluindo tecnologias de monitoramento permanente ou semipermanente de reservatórios.
Quais são os investimentos que serão feitos pela empresa no Brasil?
Já fizemos investimentos consideráveis no Brasil em infraestrutura, tanto no Centro de Tecnologia como no Centro de Processamento. Nossos maiores investimentos atualmente são destinados à ampliação da biblioteca de dados multiclientes e na contratação de novos talentos.
Qual a grande dificuldade no Brasil para se contratar pessoal para o CPDS e o CT da empresa?
O fluxo limitado de profissionais bem formados. Cada ano contratamos jovens de alto potencial que passam por um rigoroso treinamento com quase um ano de duração. Esses treinamentos acontecem nos grandes Centros da empresa em Houston, Londres ou Paris ou através de atividades de campo no Oriente Médio, Costa da Índia, Indonésia, Texas ou Alasca. Após esse treinamento, os profissionais podem trabalhar em nossos Centros no Brasil ou no exterior. Gostaríamos de fazer mais, mas temos uma grande concorrência das operadoras que disputam os mesmos profissionais. Estamos abertos para contratar físicos, matemáticos, geólogos e engenheiros. Brasileiros interessados em adquirir uma sólida experiência internacional, incluindo atividades de campo e nos centros de processamento, venham se juntar a nós!
A empresa traz novas tecnologias para aplicar no Brasil?
Nós trouxemos e desenvolvemos muitas tecnologias novas no Brasil. Atualmente estamos trazendo a novíssima tecnologia de banda larga chamada BroadSeisTM, que representa um passo gigantesco na melhoria da qualidade das imagens sísmicas. Ela foi totalmente desenvolvida dentro da empresa e apresenta inovações em termos de equipamentos, processamento e aquisição no mar. Juntando esses três fatores, se produzem imagens de altíssima qualidade. O ganho principal é a resolução, a riqueza de detalhes das imagens. Outras tecnologias que desejamos trazer em breve são aquelas relacionadas ao monitoramento permanente ou semipermanente de reservatórios, tais como, Optoplan e nodes.
Uma mensagem para os leitores do Geofísica Brasil:
Somos uma empresa de geofísica de alta tecnologia e comprovadamente inovadora, com forte respeito ao cliente e ao meio-ambiente. A CGGVeritas oferece todos os elos da cadeia da indústria sísmica, desde equipamentos para aquisição sísmica até a caracterização de reservatórios. A força da nossa proposta é sermos capazes de combinar todos esses elos de forma eficiente para solucionar problemas complexos com grande sucesso. Além disso, através do nosso Centro de Tecnologia no Rio de Janeiro, estamos capacitados para desenvolver soluções sísmicas inovadoras que atendam necessidades específicas dos nossos clientes no Brasil.
Principais marcos da CGGVeritas no Brasil
Em 1961, há exatos 50 anos, a Compagnie Générale de Géophysique uniu-se a três sócios franceses e dois brasileiros para fundar a Companhia Brasileira de Geofísica S/A (CBG).
Os primeiros levantamentos geofísicos foram realizados para a Petrobras, na Bahia. A partir da década de 1970, na Amazônia, a CBG manteve uma equipe trabalhando por mais de vinte anos.
Outras bacias foram percorridas também, tais como: Pará, Maranhão, Parecis, Paraná, Barreirinhas e Juruá.
Na década de 1980, a empresa abriu Centros de Processamento de Dados Sísmicos em Manaus (1981) e em Curitiba (1989).
As primeiras grandes pesquisas sísmicas marinhas 2D e 3D para a Petrobras começaram em 1984, envolvendo as bacias de Sergipe-Alagoas, Campos e Santos.
Com a criação da Agência Nacional do Petróleo e o fim do monopólio estatal do petróleo, em 1998, abre-se um período extremamente favorável para a exploração no país, do qual a CGGVeritas participou plenamente, notadamente com as primeiras pesquisas 3D na modalidade multiclientes nas bacias do Espírito Santo, Campos e Santos.
Em meados dos anos 2000, levantou-se uma onda de estudos sísmicos nas bacias marítimas, sobretudo na de Santos, onde a CGGVeritas se destacou pelo sucesso do famoso Cluster (aglomerado) do pré-sal.
Em 2005 a empresa implantou seu Centro de Processamento de Dados Sísmicos no Rio de Janeiro, com planos para crescer rapidamente e se tornar um dos maiores e mais sofisticados do Brasil. E em 2010, marcando o fim de um ciclo e o início de outro cheio de perspectivas para o futuro, a CGGVeritas abriu também no Rio de Janeiro um Centro de Tecnologia.
Geofísica Brasil - 25/10/2011 |