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Opinião

regulamentação

O desabafo de um profissional sem profissão

Mobilizado pela notícia publicada na semana passada, "Físicos pedem que a profissão seja regulamentada por lei, o geofísico e empresario Rinaldo Moreira Marques - diretor da Geopesquisa Investigações Geológicas, enviou por e-mail um desabafo que não esconde sua revolta pela situação em que se encontram os profissionais geofísicos do Brasil.

A matéria veiculada pela Folha de S. Paulo em 25/2 informa que a Sociedade Brasileira de Física pede que o Congresso desarquive o Projeto de Lei que trata da regulamentação da profissão do físico. Leia a matéria aqui.

O desabafo

"Prezados.É com pesar que recebo um email com este conteúdo, e cada vez mais me sinto um bandido dentro de nossa profissão. Não sei quanto aos demais colegas, mas meu nível de revolta sobre este assunto já ultrapassou qualquer limite que pudesse ser ponderado.

Independente de qualquer coisa me sinto um "idiota" a respeito da nossa regularização profissional. Vejam, passaram, por incrível que pareça, 21 anos de formado. O título que eu e boa parte das pessoas (...) deveriam ter orgulho de mencionar (Bacharel em Geofísica), na verdade pode nos trazer problemas de ordem legal e atingir proporções incalculáveis do ponto de vista jurídico, caso algum de nós, por um acaso do destino, cometa um erro que acarrete responsabilidades cíveis.

Já esta por demais claro que não possuímos representatividade, nem por parte de nossa Sociedade (Brasileira de Geofísica), e que esta a despeito de qualquer outra instituição representativa aparentemente possui como filosofia e principal objetivo, arrecadar dinheiro de sócios (através do pagamento de anuidades), empresas e instituições, com o intuito de organizar eventos (congressos, simpósios e cursos - estes últimos por sinal ocorrem somente no Rio de Janeiro, o que exclui e impossibilita a participação de sócios de outras regionais que não residam na cidade sede da Sociedade), assim como faziam os romanos historicamente citando fornecendo "pão e circo para nós plebeus".

Já não bastava estarmos nas mãos dos geólogos e dos engenheiros (neste caso devido a falta de sensibilidade ocasionada por um erro de julgamento político que deveria favorecer aos geólogos), agora estão os físicos na jogada, que acredito possam vir a ter os mesmos problemas que tivemos, mas que com certeza deverão alcançar um resultado muito mais satisfatório do que os que observados até este momento (se bem me recordo tivemos um Ministro de Ciência e Tecnologia que é físico ou seja aparentemente os físicos possuem respaldo político e podem obter representatividade) junto aos órgãos competentes que analisam este tipo de matéria, isso se não conseguirem o que eles querem muito mais rápido do que conseguiremos, o que provavelmente deverá acarretar em mais uma classe de profissionais com a qual deveremos negociar para poder exercer a nossa profissão.

SBGf

A Sociedade Brasileira de Geofísica aparentemente nada tem feito (após o encaminhamento do processo ao Senador), a respeito do assunto, julgaram que o projeto que eles haviam encaminhado seria aprovado, no entanto em averiguação particular recente (pois tenho interesse no assunto), fiquei sabendo que na apresentação do projeto de regularização de nossa profissão, devido à pressão e negociação feita com os geólogos, seus sindicatos e associações, além dos representantes desta categoria junto a Câmara de Geologia do CREA, haviam sido incluídos e atribuídos aos geólogos o direito de exercer sua profissão numa atribuição que só é permitida aos engenheiros, indo contra os interesses desta pequena categoria de profissionais.

Na apresentação do projeto de lei em questão (regulamentação da profissão de geofísico) foi incluída a atribuição ao geólogo de realizar e assinar projetos e trabalhos de GEOTECNIA, até então atribuição dada somente ao Engenheiro Civil. Agora lhes pergunto o que nós geofísicos temos a ver com isso? Neste momento oportunamente e, devido à paralisação da análise de nosso processo posso responder, com toda a certeza do mundo que a falta de representação política de nossa categoria que poderia ter sido suprida pela SBGf e não foi, que estamos novamente desamparados e sem perspectiva alguma de que esta situação será solucionada a curto prazo (menos de 5 anos).

Vejam a excelente negociação feita com os geólogos nos levou a um panorama em que deixamos de negociar com um grupo de 2.000 profissionais da área de geologia (os números aqui apresentados são hipotéticos e servem apenas como ilustração para estabelecer uma comparação) e passamos a negociar com um grupo de 200.000 profissionais da área de engenharia. Agora acredito que não haja explicação para tamanha falta de maturidade e percepção por parte das pessoas que participaram desta negociação que possibilitou esta situação. Neste caso foi cometido um erro de julgamento gravíssimo achando que os engenheiros não iam se incomodar com o favorecimento do geólogo nesse novo pleito. Hoje acredito que a regulamentação de nossa profissão está muito mais distante do que ela estava antes mesmo de iniciarmos a discussão sobre esse assunto.

Visita ao gabinete

Eu me baseio em informações obtidas junto ao gabinete do senador Valdir Raupp, que está com o projeto engavetado. A informação que obtive, através de um assessor parlamentar aposentado, parente da minha esposa, que encontrou-se com um assessor do referido senador foi a seguinte:

"Finalmente consegui "chegar" ao Gabinete do Senador Valdir Raupp. Sentei-me em frente à D. Maria (ela é quem "faz" a agenda do Senador). Então: sentei pensando: "daqui não saio, daqui ninguém me tira..." Depois de uma hora e meia, eis que surge um assessor. Convida-me para ir até uma sala. Aí começa a enrolação.

"Resumindo a opera: Marcos Aragão (é o nome do assessor do gabinete) diz o seguinte: "pois é: enquanto os engenheiros de um lado e os geólogos de outro não se entenderem, o Senador não pode fazer nada. O Senhor compreende, não é? O Sr. sabia que veio até ao gabinete um grupo de engenheiros e ou outro dia, um de geólogos? E que não recebemos aqui nenhum grupo ou representante dos geofísicos?

"Desculpe, Rinaldo. Mesmo a tal de D. Maria embora tenha me avisado que era para aguardar sua ligação e "agendar" o encontro com o Senador, fui até ao gabinete. Em tempo: o "assessor" me garantiu que este ano o projeto não vai à apreciação da Comissão de Assuntos Sociais (CAS) nem que a vaca tussa. Cheguei ao gabinete por volta das 14 horas e saí de lá às 16 e 30 em ponto."

Desculpem mais uma vez. Mas tão cedo o Projeto de Lei da Câmara 177 de 2006 não deve sair ou ficar (até quando?) no g-a-b-i-n-e-t-e do Senador Valdir Raupp.

Por isso faço votos de que os físicos consigam regularizar sua profissão antes mesmo que nós, pois assim quem sabe perdemos um pouco mais de espaço no mercado, assim quem sabe as pessoas que desempenham esta função (me refiro aos geofísicos bacharéis) se incomodem um pouco mais se sentindo diminuídas e mais marginalizadas, pois desta forma não estaremos sendo ilegais no desempenho de nossa profissão somente frente aos geólogos e engenheiros, mas também perante aos físicos, ou seja a cada dia que passa temos nosso direito de exercer e aplicar nossos conhecimentos diminuídos e nos tornamos mais bandidos do que éramos no dia anterior.

Eleições regionais

Outra coisa, na ultima eleição de representante da SBGf, a professora doutora Maria Amélia, da UNICAMP apareceu na última hora do processo se candidatando para ser eleita ao cargo de representante da Regional Sul, com uma plataforma política enviada por e-mail aos sócios, dizendo que ia se dedicar a este assunto, com todos os termos políticos a atitude típica de quem estaria concorrendo a um cargo na câmara dos deputados. Acredito assim que esta seja uma boa hora para que ela (nossa representante da Regional Sul) demonstre todos os esforços realizados pela regional e por ela conforme sua plataforma política, para que possamos nos sentir um pouco mais amparados e acharmos que existe alguém na Sociedade que se importa com a situação de seus sócios além de só fazer política e tirar proveito do cargo em que se encontra.

Outro ponto que acredito seja interessante, seria ter da SBGf um posicionamento oficial sobre o assunto.

Rinaldo Moreira Marques,  diretor da Geopesquisa Investigações Geológicas ( Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. )
 

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