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O Brasil está na ordem do dia, diz Milani
Os resultados que vêm sendo alcançados pela Petrobras, respaldada em investimentos anuais de US$ 800 milhões em pesquisa e desenvolvimento para superar os desafios na exploração e produção em águas profundas, principalmente na área do pré-sal, foram destacados por Edson José Milani, gerente geral de P&D de Exploração do Cenpes, durante o encontro anual da SEG 2010, realizado em Denver, Colorado (EUA), entre os dias 17 e 22 de outubro. Responsáveis por 52% da produção global de petróleo, segundo dados da Wikipedia, as companhias estatais, como a Petrobras, a norueguesa Statoil, e a Saudi Aramco, nas últimas duas décadas intensificaram os investimentos em programas de P&D, que vêm contribuindo de forma decisiva para o sucesso delas em novas fronteiras, como é o caso do pré-sal no Brasil, que repercutiu no mundo inteiro. "A Petrobras sempre está tirando um coelho novo da cartola na exploração em águas profundas", observa Milani, revelando que do total de investimentos anuais da estatal, cerca de US$ 100 milhões são para a área de geociências. Começando do zero
Milani faz um paralelo entre a Petrobras e a estatal norueguesa Statoil, que participou do mesmo workshop. "É uma companhia de base tecnológica, que atua de forma eficaz e bem distribuída nos cinco continentes e que tem uma produção similar à nossa, de 2 milhões de barris por dia", pontua o geólogo. "Já a Petrobras é uma empresa doméstica, que teve de sair do zero e chegar aonde chegou trabalhando dentro do próprio país. Essa é uma particularidade da Petrobras: tivemos que tirar o óleo ‘moendo' as nossas bacias, repassando os dados em um processo exploratório contínuo. Não deu certo na primeira vez? Vamos tentar de novo. Essa era a regra." Desafios contínuos
Os resultados obtidos pela Petrobras no pré-sal, a partir do incremento dos investimentos também em P&D no Cenpes, e os desafios que a companhia tem pela frente estimularam os debates. "A palestra foi muito bem recebida, gerando uma discussão muito interessante e elogios em relação ao que a Petrobras já conseguiu realizar", comenta o gerente de P&D de Exploração do Cenpes. Milani ressalva que os desafios na área de exploração são muitos, tanto de ordem econômica, como tecnológica e de recursos humanos. "Há questões estratégicas, como a retenção de pessoas, de capital humano qualificado. É fundamental aumentar os grupos de interpretação, por conta do volume de trabalho cada vez maior. Já o desafio tecnológico é o aprendizado constante dessas bacias sedimentares. Esse é o desafio do momento", constata. Expansão tecnológica
"Isso representou um grande salto, tanto em termos de infra-estrutura quanto de capacitação de pessoas. Permitiu-nos desenvolver alguns projetos dentro dessas instituições parceiras, pois não temos capacidade de fazer tudo dentro do Cenpes. Principalmente com o pré-sal, que passou a ter uma escala muito maior", diz o executivo. Hoje, as parcerias se estendem a uma centena de universidades brasileiras e 70 organizações internacionais (entre universidades, empresas, fornecedores, companhias de petróleo, prestadores de serviços etc.). As iniciativas relacionadas ao pré-sal hoje são as mais significativas. "Analisar os carbonatos do pré-sal é mais complexo do que os turbiditos do pós-sal, que têm uma resolução, uma resposta sísmica muito mais explícita", pondera. "É necessária muita pesquisa geofísica para obtermos melhores informações sobre esse intervalo, conhecido como Andar-Alagoas", diz ele. Daí a busca por rochas análogas, em afloramentos existentes pelo mundo afora, em locais onde existe um ambiente deposicional similar ao pré sal. "Essas rochas trazem informações bastante relevantes para entendermos melhor suas características e vão possibilitar um avanço no nosso conhecimento desse intervalo", avalia o geofísico Na percepção do gerente de P&D da Exploração do Cenpes, a apresentação feita em Denver despertou em muitos da platéia de geofísicos "o anseio de estar envolvido nesse processo. Vários manifestaram interesse em saber como estabelecer parcerias", revela. "Logicamente, a Petrobras está sendo bem seletiva. Ela vai buscar parceria onde houver uma solução possível para os desafios que enfrenta. O que o interesse das pessoas confirma é que o Brasil está realmente na ordem do dia da indústria. |




No encontro anual da Society of Exploration Geophysicists - SEG 2010, em Denver, Colorado (EUA), pesquisador do Centro de Pesquisas da Petrobras - Cenpes mostra de que forma investimentos anuais de US$ 100 milhões alavancam as atividades de P&D na área de Exploração, dentro de um processo colaborativo que tem a participação de outras instituições e companhias parceiras.
No workshop sobre as petroleiras estatais (NOC, como são chamadas as National Oil Companies), Milani relembrou que a Petrobras foi criada em 1953 para avaliar o potencial das bacias brasileiras e suprir o país de derivados, sem dispor de pesquisa exploratória ou reservas. "Ela começou praticamente do zero, pois só havia uma pequena produção de petróleo no Recôncavo", observou. Processo bem diferente da Saudi Aramco, que iniciou suas operações explorando as reservas que os norte-americanos descobriram na Arábia Saudita. "Ela já nasceu com reservas fantásticas, que hoje somam 260 bilhões de barris. Tanto que cunharam a seguinte frase: o último barril de petróleo na terra vai ser produzido na Arábia Saudita".
Mais além do sucesso exploratório, o workshop debateu os grandes desafios na exploração de petróleo. Segundo Milani, o chefe de geofísica da Saudi Aramco, Panus Kelamis, levantou a questão do aumento da resolução sísmica. "Eles, que trabalham basicamente onshore, querem melhorar o fator de recuperação da empresa, para passar de uma média de 50% para 70%, respaldados em pesquisa sísmica e geofísica", acrescenta.
Milani apontou ainda o papel do Cenpes como interface da Petrobras junto ao meio acadêmico, apontando as redes temáticas como uma importante estratégia para criar esse ambiente colaborativo. "Elas foram iniciadas em 2006, quando a Petrobras ‘costurou' com as universidades, naquela época, nada menos que 38 redes temáticas. Somente na área de exploração são cinco ou seis redes, entre sedimentologia, bioestratigrafia, geologia estrutural, tectônica, geofísica etc." De 2006 a 2009, segundo Milani, dos mais de US$ 1 bilhão investido pela Petrobras na expansão da capacidade tecnológica, que incluem parcerias com instituições de P&D e empresas parceiras, no Brasil e no exterior, cerca de US$170 milhões foram para a área de geociências.
