Homeostase, a Teoria Gaia e o Petróleo
Homeostase

O termo foi lapidado em 1932 por Walter Bradford Cannon (1871~1945) e vem do latim homeo (similar) e stasis (estático). Walter Bradford foi um fisiologista e médico americano estudioso do sistema digestivo humano, do sistema nervoso e dos processos reguladores do corpo dos seres vivos. Autor do livro The Wisdom of the Body, onde introduz o conceito da Homeostase. Pai do Dr. Bradford Cannon conhecido cirurgião especialista em reconstituições e plásticas de vítimas de queimaduras e de soldados feridos durante a Segunda Guerra Mundial.
Via de regra quando falamos em Homeostase nos referimos a categoria dos seres vivos. Em um sistema fechado esta vai fazer todo o possível para manter sua estabilidade interna com o intuito de conseguir uma condição externa estável através de acomodações dinâmicas por ajustes mecânicos inter-relacionados. Basicamente a homeostase se dá através de dois tipos básicos de feedback: o positivo e o negativo. O negativo responde quando a intenção do sistema é reverter o sentido da mudança. Por exemplo, quando praticamos algum exercício físico nossa temperatura corporal aumenta. Nosso sistema de equilíbrio - no caso o nosso cérebro - nos faz suar, liberando calor e assim, fazendo a temperatura cair. O positivo não altera a direção, mas faz com que a reação seja amplificada. O positivo não é tão comum de se desencadear quanto o negativo, mas tem suas vantagens. Por exemplo, no nosso sistema nervoso há um limite de potencial elétrico que quando exigido pelo feedback positivo, dispara uma energia que termina por ultrapassar aquele que seria seu limite.
A coagulação do sangue é outro exemplo de uma reação, vamos dizer, "exagerada" do nosso sistema nervoso. Alguns outros sistemas tais como os sociais ou os ecológicos também necessitam de um meio homeostático interno. E todos eles vão brigar, e muito, para conseguirem seus equilíbrios, sob pena de entrarem em colapso e interromper seu funcionamento. Estes sistemas têm também, ou deveriam ter, a capacidade de se adaptar as mudanças externas para sobreviverem
Teoria Gaia
A Terra, é um organismo vivo por si só ou é vivo pela existência dos seres vivos que a habitam e ao próprio ambiente? Os ambientalistas juram que sim. Embora alguns cientistas afirmem, que não é tão simples assim. A Terra é um organismo vivo e portanto passível da aplicação das leis da Homeostase. Ou seja, ela reage as mudanças impostas pelo homem para manter seu equilíbrio a qualquer custo. E por falar nisso, pelo que parece, "os custos" somos nós que pagamos. E agora? É a vida existente que cria as condições de sobrevivência do planeta, ou ela já tem seu curso em andamento e continua pelas características já existentes aqui encontradas? O ovo ou a galinha?
Foi tentando responder essas perguntas que o investigador britânico James E. Lovelock elaborou a chamada Teoria Gaia em 1969. O nome Gaia é em homenagem à deusa que representa a Terra na mitologia grega. Para Lovelock é a vida biológica na Terra que oferece condições para sua sobrevivência do planeta, ao contrário do que acarretam as outras teorias. Existem na natureza os sistemas bióticos e os abióticos. No caso em questão o meio ambiente abiótico é constituído por itens como a água, o solo terreno e o ar. Ou os compostos da nossa atmosfera (compostos químicos), as forças e radiações (leis e forças da física). O meio ambiente biótico é representado pelos animais, seus alimentos e pelas plantas. O meio abiótico se relaciona entre si e influência a população dos seres vivos ao seu redor. O tempo - meteorológico - é um grande fator de mudanças do meio ambiente do seres vivos ou inanimados. As chuvas, variações de temperatura, umidade do ar podem determinar todo um comportamento de uma comunidade. O espaço é outro fator decisivo. Todos e tudo precisam de espaço para se relacionarem entre si. E também os elementos químicos, como o ferro, carbono, oxigênio e outros, são indispensáveis a nossa sobrevivência.
Já o meio biótico nos fornece os alimentos em geral. Plantas e animais. Dependemos totalmente das frutas, verduras e da carne. Assim como da relação direta com outros seres vivos. Nossos estômagos teem uma colônia imensa de bactérias que nos ajudam a digerir alguns tipos de alimentos que consumimos. O ambiente biótico inclui também de forma indireta, as nossas características culturais e sociais, pois nós pensamos, raciocinamos e tomamos decisões que vão influenciar nossos filhos e conhecidos próximos. Adquirimos conhecimentos. Arte, religião e ciências. Assim vivemos em um meio que de certa forma dirigi nossa evolução. Quando por qualquer razão esse meio muda, vem uma reação quase que automática. Seja do Planeta, seja do ser Humano.
Voltando um pouco, a idéia da Homeostase diz que, que no caso a Terra, esta teria uma força própria de reagir e manter sua estabilidade interior, através das leis da física e das reações químicas disponíveis na natureza. Então, os "organismos vivos" se submetem às leis e processos físicos e químicos do Universo? Ou somos nós que determinamos estes processos com nossas ações? A Gaia Teoria que nasceu com um certo "ar místico" tendo o meio biótico ou, o homem como principal elemento responsável pelo equilíbrio do planeta, hoje pesquisada mais a fundo, não é bem aceita nos meios científicos, mesmo que muitos aceitem que os organismos atuem no ambiente físico e vice-versa, os cientistas acreditam que os processos físicos e químicos são muitas vezes, mais importantes que os seres vivos. Ao que parece, na minha humilde opinião, é que sim, os seres vivos - os bióticos - podem "tentar" influir no meio ambiente abiótico, mas com certeza terão uma resposta à altura da provocação.
O Petróleo
Aqui no Brasil o tema virou uma novela salgada, com a "recente" descoberta da tal camada do Pré-Sal. Rapidamente. Há mais de uma explicação científica para a formação do petróleo. A mais aceita hoje é que ele seja resultado do acumulo de material orgânico (plantas e animais do período paleozóico) que passou por várias condições e transformações físicas e químicas. Principalmente, pressão e temperatura. Grandes quantidades de carbono e hidrogênio formam os hidrocarbonetos, que teem também um pouquinho de oxigênio, de nitrogênio e de enxofre. Geologicamente falando, os hidrcarbonetos são formados primeiramente, no que chamamos de rochas geradoras e depois são dirigidos - por pressão e temperatura - para as rochas adjacentes. Nesta fase é que o petróleo migra para reservatórios, onde pode ser explorado economicamente. Esta migração acontece devido a falhas ou "armadilhas" porosas que acumulam o óleo. É do interior destes espaços que o petróleo é extraído.
Ele pode ser encontrado nos estados sólido, asfalto líquido, óleo cru gasoso e gás natural, em bacias sedimentares, que são rochas oriundas de "restos e detritos" de outras rochas pré-existentes, como as magmáticas, metafórmicas e mesmo de algumas sedimentares. Esse material rochoso é transportado por fenômenos naturais. Chuva, vento ou gelo, por exemplo. E vagarosamente é "sedimentado". Depois a pressão e o calor provoca uma aglomeração que transforma tudo em uma rocha sedimentar. É lá dentro que está o "ouro negro", já não tão "ouro" hoje em dia. No planeta há dois tipos de bacias petrolíferas: as onshore e as offshore. As onshore são encontradas em terra e teem origem em bacias sedimentares antigas. As offshore são as bacias encontradas na plataforma continental - oceanos e mares - e nas suas margens. No Brasil não há boas bacias petrolíferas onshore. Já a nossa plataforma continental é rica em petróleo offshore de muito boa qualidade. O país tem aproximadamente 6.500.000km2 de bacias sedimentares com 4.800.000km2 em terra e 1.600.000km2 na plataforma continental. Comumente pensamos no petróleo como fonte de combustível para nossos carros, aviões e navios; nos seus derivados como óleos lubrificantes, querosene, gases naturais, graxos, nafta, parafinas etc., mas como isolante térmico do planeta? É difícil...
O Isolante Térmico Terrestre
Aproveitando que o assunto virou "moda" outra vez, vamos tentar entender como o petróleo se encaixa na Hipótese Gaia como uma forma de Homeostase. Estamos definitivamente na era do "salvem o planeta". Tudo é light, sem gordura trans, pipoca "zero"(?), legumes e vegetais sem agrotóxicos ou trangênicos (vale dizer que estes legumes e vegetais custam dez vezes mais!), cerveja light e até sexo light. Até ai tudo bem. Concordo. Mas quanto às causas do efeito estufa, ninguém se entende. São os carros, são as industrias ou é a flatulência bovina as principais causadoras das emissões de CO2? As queimadas? O desmatamento? Certamente que tudo deve ajudar, mas... Tudo isso e nada disso, foi cientificamente provado com absoluta certeza. Mas há um item que curiosamente não vemos com a freqüência devida, nas mal traçadas linhas da mídia mundial, que é a extração do petróleo.
O nosso planeta é constituído por quatro camadas principais: camada externa ou crosta rochosa sólida, manto sólido de rochas silicáticas, núcleo externo de ferro-níquel derretidos e núcleo interno de níquel-ferro sólidos. O petróleo, como já dissemos, é formado através de pressão e temperatura. Pressão exercida pela força das camadas dos sedimentos acumulados. Temperatura gerada pelo núcleo externo de níquel-ferro derretidos a 4.000/5.0000C. No interior do petróleo, as moléculas de carbono são organizadas pelo calor do núcleo quente da terra e, através de reações químicas, elas se dissipam e protegem a fina camada externa do planeta. A crosta rochosa sólida terrestre é apenas 1% do total da massa do planeta. Estima-se que a extração mundial aproximada (aproximada pois a maioria dos países exploradores de petróleo não contam toda a verdade...) é de cerca de 81 milhões de barris/dia.
O que se sabe por exemplo, é que o EUA já extraiu todo óleo bruto do Mar do Norte. Assim não se pode mesurar com certeza também, a quantidade de energia que está sendo irradiada pelo núcleo terrestre para a crosta exterior, onde vivemos. As camadas de petróleo são verdadeiros isolantes térmicos naturais da Terra. Elas retêm parte do calor vindo do núcleo quente do interior do planeta. O modo de extração de petróleo no Brasil e no resto do mundo é feito de uma maneira não muito "inteligente". É injetada água salgada sob pressão nos poços petrolíferos para expulsar o petróleo das camadas sedimentares. Desta maneira troca-se na verdade, um isolante térmico por um condutor térmico. A temperatura aproximada do petróleo saído dos poços é de cerca de 650C e a temperatura da água no solo do fundo dos oceanos é de perto de 40C. Ao trocar o óleo pela água, fica claro que estamos permitindo uma passagem maior de calor para os oceanos aquecendo assim as correntes como por exemplo, talvez a mais importante, a Grande Corrente Oceânica, também conhecida intimamente pelos oceanógrafos como "o fluxo da conveyor belt". A Grande Corrente percorre os oceanos subindo pela África até Mar do Norte, descendo pela costa norte do Brasil até o pólo Sul, subindo novamente pelo Pacífico até o Alasca, descendo novamente pela Ásia oriental e África e voltando a subir pela costa ocidental da África, como um grande "regulador" da temperatura do planeta. Ao interferimos na sua temperatura através da extração petrolífera e conseqüentemente deixando uma maior quantidade de calor chegar à superfície terrestre, fatalmente estamos mexendo com a temperatura global. Esta teoria do petróleo como isolante térmico faz sentido quando vemos os EUA - que não tem nenhum interesse em brecar a extração do óleo negro - resistindo a colaborar contra o efeito estufa e quando presenciamos um furacão aportar as praias de Santa Catarina de forma jamais vista na história climática local, devido ao aumento da temperatura da região. Bem, parece que com ou sem Teoria Gaia, a tal Homeostase se faz presente. Portanto "txurma" vamos acreditar "desacreditando" no que esse pessoal fala e escreve. Incluso este que vos fala, é claro.
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