top
logo

Enquete

Qual data você escolheria​ para ser proclamada​ como o Dia Nacional do Geofísico?
 

Feed RSS

Banner
TOP 100 ENERGY SITES

Início Artigos Opinião ONG ambiental divulga estudo sobre impactos da atuação da Vale
Banner
Opinião

ONG ambiental divulga estudo sobre impactos da atuação da Vale

Após ser eleita pela premiação Public Eye a pior empresa do mundo, a Vale despertou as atenções gerais para seus impactos. Um estudo, publicado pela maior organização ambiental do mundo, afirmou que a Vale contribui para as mudanças climáticas através de suas atividades de mineração enquanto lucra com a "compensação de carbono", que agrava a crise climática.

A informação é baseada em um estudo feito pela Amigos da Terra Internacional e divulgado pelo site Ambiente em Foco. Segundo o estudo, apesar de a Vale anunciar em 2008 a sua intenção em reduzir suas emissões de dióxido de carbono, emitiu 20 milhões de toneladas de CO² em 2010, 5 milhões de toneladas a mais que em 2007, de acordo com os dados da própria empresa.

Sendo a Vale, a segunda maior empresa de metais e mineração e uma das maiores produtoras de matéria bruta do planeta, frear suas atividades com o objetivo de manter a sustentabilidade dos recursos naturais é uma tarefa difícil, sobretudo por sua proximidade com os governos, como é o caso do Brasil, que detém parte da empresa.

No Brasil, um caso emblemático marca o descaso da empresa com o meio ambiente e é mostrado no estudo: com a construção da Companhia Siderurgica do Atlântico (CSA) – mesmo modelo que será utilizado em Anchieta, sul do Espírito Santo –, a Vale afetou negativamente 8 mil pescadores, alterou o modo de vida da população tradicional e poluiu o ar, o que levou a empresa aos tribunais brasileiros.

Neste contexto, a Vale mantém ainda no Espírito Santo oito usinas de pelotização e prevê a construção de duas siderúrgicas no sul do Estado, em detrimento da indisponibilidade hídrica da região, já apontada anteriormente pelo órgão ambiental Estadual.

Para expandir seus negócios, além da relação com os governos, diz o estudo, ela mantém seu espaço na ONU, o qual utiliza para pressionar, através de negociações clijmáticas, medidas que beneficiem às indústrias como medidas reguladoras mais brandas para compensações de emissões.

" A estratégia de mão-dupla da Vale, desenvolvendo um negócio de extrativismo global, ao lado de iniciativas lucrativas de compensação no seu país, permitiram a ela se beneficiar com falsas soluções para a crise climática, enquanto agrava o problema do clima com suas atividades mineradoras", diz o estudo.

Além do minério, a empresa ainda explora o mercado de pelotas de ferro; é a segunda maior produtora mundial de níquel, além de produzir manganês, liga de ferro, carvão, cobre, cobalto, metais platinados e nutrientes para fertilizantes.

Segundo o estudo, diante do poder de mercado da empresa e sua ligação com o governo brasileiro, "é difícil dizer quando a empresa opera no interesse dos acionistas privados ou do governo, da mesma forma que é difícil saber quando os governos decidem em favor da população ou a favor de corporações como a Vale".

A entidade Amigos da Terra Internacional é a maior rede de organizações ambientalistas de base do mundo, unindo 76 grupos membros nacionais diversos e cerca de 5 mil grupos ativistas locais em todos os continentes. "Com aproximadamente 2 milhões de membros e apoiadores em todo o mundo, realizamos campanhas sobre os temas sociais e ambientais mais urgentes e atuais. Desafiamos o atual modelo econômico e a globalização corporativa e promovemos soluções que ajudarão a criar sociedades ambientalmente sustentáveis e socialmente justas.

Parecer da Amigos da Terra Internacional

A Vale descreve a sua missão corporativa como "transformar recursos minerais em riqueza e desenvolvimento sustentável" e em 2008 lançou Diretrizes Corporativas sobre Mudanças Climáticas e Carbono, expondo as suas intenções para reduziras emissões de dióxido de carbono, porém, além aumentar suas emissões, o compromisso da Vale na redução do dióxido de carbono não inclui o desligamento das operações em carvão, o que levaria a empresa a buscar soluções mais limpas, que segundo a entidade, se traduz na expansão das monoculturas de plantações de árvores, de modo que seriam ao mesmo tempo menos intensas em carbono - na hipótese da substituição de carvão mineral pelo carvão vegetal em sua produção de aço que crescem continuamente.

A medida seria ainda uma estratégia de seqüestro de carbono, geração de créditos de carbono e outras compensações.

Para Amigos da Terra Internacional, tanto os mercados de carbono como as monoculturas são falsas soluções, que ajudam a piorar a crise climática ao invés de resolvê-la.

Bons negócios

Os mercados de carbono envolvem a compra e venda de uma commodity artificial, o direito de emitir gases de efeito estufa. O Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) é um mecanismo usado pelos países desenvolvidos para tentar compensar suas emissões não reduzidas. Não lida com reduções de emissões reais por parte dos poluidores, enquanto os projetos que dizem gerar créditos de carbono ou permissões de emissão para estes podem resultar em impactos negativos onde são desenvolvidos. Este é o caso das plantações de árvores, promovidas como sumidouros de carbono. Elas não são adicionais, já que sua expansão é parte dos negócios de muitos setores industriais (como de papel e celulose, madeira, aço e bioenergia). Em muitos casos as plantações registram situações de deslocamento de populações das suas terras, destruição de modos de vida, poluição de terras agriculturáveis, redução da biodiversidade, escassez de suprimento de água a exploração de trabalhadores.

Este é um dos principais trechos da publicação de Amigos da terra Internacional "Nosso Clima Não Está a Venda", disponível aqui.

Século Diario - 06/02/2012 - Flavia Bernardes
 
Banner

bottom
top

Últimas notícias

As mais lidas


bottom