Geofisiqueiros
Enquete
Feed RSS
| Opinião |
Brasil, país com o maior potencial petrolífero a ser exploradoTexto extraido do blog Petróleo Brasil, criado recentemente pelo geólogo Roberto Gonçalves de Souza. É quase regra geral o fato de uma empresa que domine o conhecimento sobre a exploração de uma bacia insista nos seus modelos e deixe de observar outras oportunidades. A história da exploração para petróleo está cheia de exemplos de empresas líderes no conhecimento de uma bacia ou de um tipo de acumulação prolífico, mas que se mostraram incapazes de obter sucesso fora da sua experiência. No Oriente Médio a Persian Gulf desprezando o território árabe do Golf Pérsico. A Standard Oil e a Shell, dominando as acumulações estruturais da bacia de Sirte, na Líbia, deixaram de ver as acumulações estratigráficas descobertas pela Occidental. Os exemplos são inúmeros e o sucesso no diferente só é feito por novos participantes, concorrentes na exploração e um dos exemplos marcantes foi o sucesso da Petrobrás Internacional no Iraque quando procurou petróleo em carbonatos, reservatórios não explorados pelos outros. O resultado foi a descoberta do segundo maior campo do mundo: Majnoon/Nahr Umr. O Brasil, num espetacular salto de competência dominou e liderou a exploração e produção em águas profundas. Entretanto, deixou de ver alternativas em outras fronteiras exploratórias. O perfil de crescimento de reservas brasileiras é de juventude exploratória cujo ápice ainda não foi atingido. Sendo assim, as atuais reservas provadas podem ser pelo menos dobradas com as novas descobertas em fase de delimitação. Pelo menos outros quinze bilhões já poderiam ser adicionados com novas descobertas.
Por outro lado pode-se ver que tais reservas estão concentradas nas bacias marítimas, principalmente nas do sudeste do país e quase todas em águas profundas. No entanto tais bacias perfazem uma pequena proporção do território sedimentar nacional.
A disparidade entre as bacias intracratônicas e as drift, principalmente, está relacionada nas diferenças geológicas dos estilos tectônicos que exigem abordagens exploratórias específicas utilizando um conhecimento apropriado para as suas características. A simples observação das seções geológicas das principais bacias brasileiras pode-se ver que elas são bastante distintas. A estruturação de deslizamento presente na bacia de Campos mostra-se ausente nas bacias intracratônicas onde a estruturação se dá através de movimentação do embasamento. Tal diferença tem implicações fundamentais para exploração: migração; geração, estruturação, reservatórios; tipo de trapas etc. são distintos o que implica na utilização de abordagens próprias, o que não tem sido levado em consideração, prejudicando os resultados obtidos. O entendimento das características geológicas de cada tipo de bacia é fundamental para a obtenção de sucesso exploratório. Uma interpretação geológica alternativa correta e adequada a cada estilo tectônico, que se enquadre ao habitat do petróleo existente nas províncias petrolíferas similares, poderia resultar em excelentes descobertas. Calcado em interpretações geológicas distintas das tradicionais é possível prever-se, conservadoramente, um potencial brsileiro da ordem de 40 bilhões de barris presentes tanto em terra como em águas rasas, que, somados aos encontrados em águas profundas, colocaria o Brasil como um dos maiores produtores mundiais. A possibilidade de 100 bilhões de barris mão é um sonho impossível de ser atingido. Utilizando interpretações geológicas alternativas das bacias paleozóicas pode-se ver que existem possíveis leads que as tornariam tão prolíficas como, por exemplo, as argelinas (uma acumulação similar à Hassi Messaoud não seria difícil de existir). Nas bacias costeiras, em águas rasas, prospectos da ordem de um Prudhoe Bay são admissíveis. E nas bacias rift outros Campos de Candeias podem estar presentes. Naturalmente que muitos não aceitariam tal otimismo, o mesmo fizeram os geólogos que não admitiam possibilidades na margem oeste do Golfo Pérsico (a Arábia Saudita não seria a primeira do mundo). Spindletop não colocaria o Texas no Mapa do petróleo. Os geólogos da Sorbone teriam que beber o petróleo da Argélia sahariana conforme prometido. Os exemplos de negação desmentidos são inúmeros: no Brasil todas as nossas bacias produtoras foram consideradas sem interesse. Sem dúvida na história da exploração para petróleo a máxima de Darwin é perfeita: "A IGNORÂNCIA traz muito mais CERTEZAS que o CONHECIMENTO" O que leva o autor a colocar tais idéias subversivas é de propor uma alternativa econômica para o país.Encontrar petróleo nos estados do norte sem dúvida diminuiria o desnível para com os do mais ricos do sul. A participação do Estado brasileiro, através dos royalties, imposto de renda, geração de empregos etc. daria condições financeiras para melhorar a educação, a segurança, a saúde, melhores estradas (quem sabe até um trem bala ligando o Oiapoque ao Chui) etc. O sonho deixa de ser algo inatingível quando existem possibilidades reais que o torne factível. O que nos propomos a seguir é a de debater as idéias exploratórias com a demonstração de novas concepções de custo exploratório baixo, baixos riscos e prêmios elevados, bom para os investidores - melhor para o país. Pessoalmente o autor teve os seus maiores enganos quando das suas análises pessimista. Castigado com a mudança de área de interpretação para a Bacia de Campos, levou em consideração os relatórios que a classificavam como sem interesse, a pior de todas as bacias marítimas brasileiras, não aceitando a missão. Havia mais certeza que conhecimento. Na Braspetro considerou a bacia de Murzuk, na Líbia, como sem interesse baseado nos mesmos conceitos geológicos que eram aplicados no Brasil. Havia também mais certeza do que conhecimento. Outros enganos foram cometidos e os erros ensinam mais que o sucesso. Por outro lado, obteve uma carreira com alguns sucessos , sempre contrariando as interpretações vigentes dos que tinham suas certezas cristalizadas. No exterior identificou a presença de um trend carbonático de alta energia como o principal objetivo para a estrutura de Majnoon (objetivo antes rejeitado e que veio a se mostrar presente). Também no Iraque propôs a perfuração de um quarto poço na estrutura de Nahr Umr, o resultado se mostrou positivo e mostrou que Nahr Umr e Majnoon faziam parte da mesma acumulação cuja reserva a coloca como a segunda maior do mundo. Sucessos no Brasil com o potencial dos diápiros de folhelho e com aceitação da presença de discordância na bacia do Recôncavo. Tais interpretrações foram altamente questionadas pelas concepções pré-existentes. Algumas acumulações foram encontradas nos diápiros, nas associadas a discordâncias estão ainda por serem procuradas. O seu livro "PETRÓLEO – HISTÓRIA DAS DESCOBERTAS E O POTENCIAL BRASILEIRO" foi considerado como uma peça de otimismo delirante. Entretanto, as previsões lá colocadas vêm se mostrando reais. Este bate-papo terá continuidade nos posters seguintes quando serão detalhados cada tipo de bacia e suas possibilidades petrolíferas através da utilização de alternativas exploratórias, iniciando com as bacias paleozóicas. Debates, opiniões favoráveis ou contrárias, estas últimas muito bem-vindas, etc. dariam fôlego ao autor para continuar a tarefa. Petróleo Brasil - Blog assinado pelo geólogo Roberto Gonçalves de Souza - 16/01/2012 |

















