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Opinião

Geologia de Vênus

Vênus é uma espécie de gémeo geológico da Terra. A sua superfície foi moldada por duas das mesmas três forças que criaram as paisagens da Terra: vulcanismo (a libertação de rocha em fusão, ou magma, de um interior quente) e a tectónica (tensões nas rochas da crosta que criaram as montanhas e vales).

Há também cerca de um milhar de crateras de impacte, mas Vénus (como a Terra) é geologicamente demasiado ativa para que os impactes dominem a sua geologia (como acontece na Lua). O que falta a Vénus é uma erosão intensa pela água e pelo gelo que constantemente remodelam a superfície da Terra. Com escassa erosão ou deposição, Vénus facilmente exibe a sua geologia subjacente.

Como a Terra, Vénus tem grandes montanhas, tanto de origem vulcânica como tectónica. Os seus maiores vulcões parecem-se muito com as montanhas Mauna Kea e Mauna Lea, no Havai. As suas montanhas tectónicas, enquanto em menor número do que na Terra, são igualmente altas.

Em Vénus há montanhas análogas às montanhas dos Himalaias e do planalto Tibetano; são chamadas, respetivamente, os montes de Maxwell e o Ishtar Planetia. Em geral, as taxas de formação de montanhas e outra atividade geológica são semelhantes nos dois planetas.

Mas há diferenças notáveis também. Falta a Vénus a tectónica de placas que é responsável pelas diferenças no nosso planeta entre continentes graníticos e as bacias basálticas oceânicas. Além disso, Vénus parece ter sofrido um cataclismo global há cerca de 500 milhões de anos, em que a maior parte do planeta ficou submersa em lava num intervalo de tempo (geologicamente) muito curto. Nada há que se lhe compare na história da Terra.

As causas primeiras destas duas maiores diferenças são hoje muito discutidas pelos geólogos, mas ainda não existe consenso sobre a explicação. Assim, fazem-se em geologia as mesmas espécies de perguntas que têm intrigado os cientistas atmosféricos: porque razão os planetas gémeos, tão semelhantes em muitos aspetos, divergem, todavia, tanto noutros aspetos fundamentais?

Física 2100 - Autor: Carlos Costa - 21/01/2011
 
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